Ano novo, vida nova?

Exatamente, nessa hora, como em todas as horas, penso nos animais. E no quanto eles dependem de nós, humanos, para resgatarem seu inerente direito à vida, para terem suas necessidades respeitadas – como indivíduos e como espécies – para poderem viver e morrer mais naturalmente, sem tanto sofrimento, sem o sofrimento imposto por nós.

Quanto mais penso nisso, mais estranho me parece. Quem somos nós, irmãos humanos, para determinar a vida e a morte de irmãos de outras espécies, muito mais antigas que nós e que dividem conosco a “sua” terra? Quem somos nós para determinar a vida e a morte de quem quer que seja?

Como podemos nós, ainda, participar e apoiar as crueldades da exploração que pessoas menos esclarecidas infligem sistematicamente a esses seres dignos, delicados e pacíficos?

É preciso que sejamos insensíveis, cegos, surdos e … olhem o que estão fazendo com vós mesmos, com vossa Mãe primeira, com vossos irmãos animais e perguntem-se: por quê? Se sonhamos com um mundo ético e igual porque tiramos a liberdade dos pássaros? Somos terrivelmente egoístas para não perceber o clamor que vem do alto, permeando o ar que respiramos: acordem.

Por que tornamo-nos seus carrascos? Por que fazemos com eles o que abominamos que se faça a outros ou a nós mesmos? Porque não enxergamos com os olhos da alma seu sofrimento, sua dor, sua humilhação. Tudo isso pode parar no momento em que decidimos: chega! Nunca mais quero participar disso.

Amados: “ O que mata o jardim não é o abandono. O que mata é esse olhar por quem por ele passa indiferente. E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não vê.”

Mário Quintana

Feliz 2016!