Anthenor Navarro – “Um patrimônio arquitetônico de todos os guarabirenses”

O grau cultural de um povo pode ser muito bem avaliado pelo desinteresse e desprezo que esse mesmo povo dispensa ao seu patrimônio arquitetônico, via de regra, deixando-o abandonado como nada representasse para a sua história. Infelizmente, nota-se claramente que esse mesmo mal – o descaso – contaminou a sociedade guarabirense.

A imprensa de Guarabira – escrita e falada – há algum tempo vem chamando a atenção para a precária condição física em que se encontra a escola estadual Anthenor Navarro precisando ela de urgente e ampla recuperação na sua estrutura.

É visível em sua imponente fachada a implacável ação do tempo, deixando marcas que poderão comprometer esse octogenário casarão.

Escola Estadual Anthenor Navarro.

Esse monumento arquitetônico, símbolo maior da nossa educação pública, foi fundado através do Decreto de Lei 369 datado do dia 09 de março de 1933 (82 anos) quando era prefeito em Guarabira o poeta itabaianense José Tertuliano Ferreira de Melo, e, era governador o interventor Gratuliano da Costa Brito que veio substituir o jovem político Anthenor Navarro logo após seu sinistro desaparecimento.

Foi seu primeiro diretor o zeloso professor José Soares de Carvalho, naquele educandário contribuíram para o seu crescimento nomes como: professor Mário Romero, Maria Eulália, Estelita Cunha, Odete Barros, Célia Galvão dentre outros consagrados nomes. Foram muitos os guarabirenses que receberam os primeiros ensinamentos educacionais naquela escola, hoje agradecidos pelo que aprenderam.

Mas quem foi e o que fez seu patrono pela Paraíba?

Anthenor de França Navarro nasceu na Parahyba do Nordeste no dia 31 de agosto de 1899 sendo filho de Francisco Xavier Navarro (Chico Navarro) e Maria das Dores Espínola de França Navarro (Yayá) descendendo de antigo tronco genealógico da cidade de Mamanguape.

Diplomou-se como engenheiro no Rio de Janeiro em 1921, precocemente se revelou um espírito inteligente e arguto de expressiva capacidade realizadora. Foi redator do Jornal A União, sendo crítico literário se integrou a Escola Intelectual Paraibana dos anos vinte, fundou em 1923 a revista literária A Novela tinha refinado gosto pela música clássica.

Era amigo do Dr. Epitácio Pessoa, de quem gozava confiança e prestígio. Foi nomeado auxiliar no governo João Pessoa como Diretor da Repartição de Água e Saneamento realizando elogiável administração.

Com a explosão da Revolução de 30 e a morte de João Pessoa, destacou-se, Anthenor Navarro, como herói civil do movimento revolucionário ao lado de Juarez Távora, tornando-se exemplo para a juventude combativa e idealista. Assumiu o cargo de Secretário de Interior, Justiça e Instrução Pública, depois foi nomeado Interventor Federal da Paraíba quando tinha apenas 31 anos no dia 9 de novembro de 1930.

Apesar de cumprir apenas 17 meses de Governo realizou grandes ações, faleceu tragicamente no dia 26 de abril de 1932 em um desastre aéreo nas águas da Bahia quando viajava ao lado do Ministro José Américo.

Lembro-me da primeira vez que tive a felicidade de adentrar as dependências daquela escola, sendo conduzido pela mãe de minha genitora, Severina Barbosa (D. Silvia – 91 anos), quando na ocasião do pleito para governo do estado, em 1960 (Pedro Gondim x Janduhy Carneiro), tinha apenas 6 anos.

Senti-me deslumbrado, descortinei um mundo novo, tudo era gigante ante a minha visão liliputiana, suas portas lembravam os umbrais das imensas catedrais romanas. Fiquei extasiado pelo que vi diante de mim.

No estágio urbano em que se encontra a Guarabira de hoje, constatamos um quase vazio do que restou de sua arquitetura antiga, pouco ou quase nada mais resta e nesse pouco se encontra o vetusto Anthenor Navarro. Templo consagrado a nossa educação.

Já que não possuímos um Coliseu romano nem um Parthenon grego nos cabe lutar pelo que nos pertence enquanto antigo patrimônio da cidade. A Prefeitura de Guarabira parece já se movimentar em direção da recuperação do “Casarão da Praça João Pessoa”, uma boa notícia enfim, esperamos que isso possa ocorrer também em relação ao Anthenor Navarro, antes que seja muito tarde.

Vivemos hoje em uma sociedade anestesiada, presa quase que totalmente aos ditames do Facebook e WhatsApp. Uma pena, enquanto isso lá fora o tempo age silenciosamente independente de nossa vontade. Devemos sim baixar um aplicativo que possa mudar urgentemente as nossas consciências e lutar por aquilo que nos pertence enquanto patrimônio coletivo.

Esperamos que nosso modesto grito de alerta – em forma escrita – não silencie sob o manto da indiferença e da inércia.

O Anthenor Navarro antes de ser um patrimônio legal do Estado, estabelece acima de tudo como um patrimônio sentimental e cultural de Guarabira.

Salvemos o Anthenor Navarro
antes que seja tarde!

Vicente Barbosa
Professor