Chico Pedrosa: 80 anos de gloriosa caminhada poética

Eventualmente o excelente professor Vicente Barbosa, de texto fácil, denso e rico em conteúdo, nos brinda com seus escritos. A partir de hoje ele é inserido no rol de nossos colunistas. O primeiro texto é uma homenagem ao nosso poeta maior, discípulo de Ismael Freire, o genial Chico Pedrosa. Boa leitura para todos.

“No dia 14 de março comemoramos em nosso país o ‘Dia Nacional da Poesia”. Não podemos também deixar de comemorar com efusiva alegria o aniversário de 80 anos do poeta guarabirense Francisco Pedrosa Galvão (Chico Pedrosa), que nascendo no dia da poesia teria que ser um grande poeta, e na verdade o é.

Chico, assim como Catulo da Paixão Cearense, Patativa do Assaré, e Zé da Luz, juntos, rasgaram a carta do preconceito que se tinham contra o povo nordestino, e isso foi feito graças a força e o talento de seus versos.

Chico Pedrosa é sim um poeta diferenciado, mantém-se fiel seguindo a escola do inesquecível Zé da Luz, honrando a tradição da fala e o cantar dos irmãos nordestinos. Chico começou a versejar muito cedo, pois nasceu com o fadário de ser poeta. Já no início dos anos cinquenta, ao lado dos amigos Ismael Freire e Manoel Anísio, levava a poesia em forma de cordel, fonte primária de sua inspiração, fazendo dela o bálsamo a sarar as feridas abertas pelo sofrer dos nordestinos.

A poesia de Chico é pura emoção com sabedoria de quem diz o mundo através das palavras e com elas desnuda os segredos contidos em nossos sentimentos. Ler os seus livros, é um deleite. Ouvi-lo é outra experiência muito mais rica e imorredoura. Platéias se encantam e se extasiam ante a maestria e a teatralidade da sua inigualável declamação.

Dotado de uma acuidade extraordinária, Chico vislumbra o imperceptível aos olhos de muitos outros poetas, e assim com aflorada sensibilidade descreve o modo de viver do nordestino em seu agreste ambiente.

Chico Pedrosa se confessa discípulo de Ismael Freire. (Foto: Reprodução Google)

Chico tão bem define a sua poesia quando diz: “Doutor minha poesia/ É feita de terra e chão/ Não possui os galanteios/ dos poetas de salão/ É tão simples como a vida/ de minha gente sofrida/ Perdida na multidão.” Através de seus versos de refinado humor, o poeta Chico Pedrosa ora denuncia, ora protesta contra as injustiças praticadas pelo homem contra o próprio homem. Ele nunca se conformou com a maldade humana.

Chico Pedrosa, onde quer que pass, é aplaudido e reverenciado como o grande mestre da poesia popular, atravessando esse país de Norte a Sul, Chico orgulha-se em levar e também elevar o nome de sua terra Guarabira, berço que lhe viu nascer e a ele dedicou-lhe a poesia “Homenagem a Minha Terra”.

“Eu vi o menino correndo, eu vi o tempo…”, diz a canção. O menino correu junto ao tempo, se fez homem e se fez poeta. Voou alto, e das alturas, suas poesias hoje caem em forma de pétalas, transformando-se em gotas de mel, indo adoçar as amarguras de nossas vidas.

Parabéns, Chico Pedrosa é o que desejamos a você, nesses seus 80 anos e que muitos mais ainda possa viver para poder alegrar, ainda mais, as nossas vidas.”

Vicente Barbosa é professor e historiador.