Chico Pedrosa: um poeta encantador

“O poeta não se faz, o poeta nasce feito”, quem tem a feliz oportunidade de ouvir Chico Pedrosa se convence de pronto, dessa máxima universal.

De onde vem essa singular veia poética, que de repente brota como profusa vertente derramando versos que nos enche de puro lirismo, e de sublime encanto?

Um inesquecível reencontro entre Chico Pedrosa (o filho) e Guarabira (a mãe) aconteceu no dia 20 de setembro no restaurante do Hotel Lucena, que vez por outra transforma-se em palco poético, onde por lá desfilam trovadores, poetas e cantadores levando suas rimas, métricas e improvisos matando assim a saudade e a tristeza, e dando vida ao mesmo tempo a alegria que se externiza na forma de prosa e do verso.

E vendo Chico versejar, relembramos que a autêntica poesia nordestina, não pode morrer. Alguns ilustres nordestinos foram destaques como pioneiros na luta e na preservação das nossas raízes musicais e poéticas. E nesse particular devemos muito a nomes como: Catulo da Paixão, Cearense, Manézinho Araújo, Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Zé da Luz, Pinto do Monteiro, Leandro Gomes de Barros e tantos outros bravos que não se intimidando romperam com toda sorte de preconceitos, acreditando na força e na voz da poesia nordestina. Num passado não muito distante tivemos em Guarabira grandes cordelistas, entre eles destacamos: Manoel Camilo dos Santos, Zé de Camelo de Melo Resende esse último autor da magnífica obra “Pavão Misterioso”.

Chico Pedrosa ao longo dos seus setenta e dois anos bem vividos ainda com lucidez invejável, configura-se com um dos últimos remanescentes de uma escola de declamadores populares que se destaca por sua inconfundível autenticidade. É o que atesta o poeta Jessier Quirino.

Mas o que dizer da poesia de Chico Pedrosa? Ele mesmos tão bem a define “Doutor minha poesia / É feita de terra e chão / Não possui os galanteios / Dos poetas de salão / É tão simples como a vida / De minha gente sofrida / Perdida na multidão.”

Descrever a poesia de Chico Pedrosa, é pensar nordestinamente no aboio plangente do vaqueiro, é observar o sorriso rubro da flor do mandacaru, é sentir o incomparável cheiro do melaço recender pelas campinas das várzeas, é atentar para o certeiro voo do carcará em busca da sobrevivência, é dividir com as crianças a alegria de pisar descalças nas areias do tempo, é tentar entender sem sem entender o arquiteto saber do João de Barro, é ouvir o canto do maestro sabiá com seus múltiplos floreios musicais.

Os versos de sua poesia são retalhos da alma nordestina costurados com emoções, sentimento de quem viveu a versejar desde os dezoito anos quando ao lado do também poeta guarabirense Ismael Freire, juntos incursionavam pelas feiras da região levando a poesia de cordel como bálsamo para as feridas abertas do sofredor nordestino. Como o tempo é a matéria prima da sabedoria, foi ele com certeza que ensinou Chico a transformar gotas de amargura em oceanos de felicidade.

É uma pena que muitos guarabirenses, ainda não conheçam a poesia de Chico poeta encantador, é lamentável que os poderes públicos (Secretaria de Cultura) e privado (empresários e comerciantes) da nossa terra não se sensibilizaram em doar um pouco o muito que possui em favor da preservação de nossas raízes culturais a mais profunda identidade de um povo. Esse poeta declamador merece mais respeito da nossa terra, nossa Câmara de Vereadores pode e deve prestar uma homenagem à altura do talento do Velho Chico é o que esperamos. Chico hoje retira seu sustento vendendo a sua rica poesia em formas de livros e CDS, e não lhe faltam convites por esse Brasil afora para participar de torneios e festivais, elevando alto o nome da nossa cidade por onde quer que passe,

Se pudesse definir a arte de Chico Pedrosa pediria emprestado a definição do poeta português Guerra Junwurito: “Que título augusto, que non=me ideal para um vivente _ “CANTADOR”