Foram e voltaram

Recentemente uma das novéis igrejas pentecostais fazia campanha para recuperar os fieis que a abandonaram, indo para outra, ou caindo na indiferença. É que entusiasmo passa. Omita a catequese progressiva e você terá fiéis rolando de templo em templo. Como para tudo na vida, é preciso mais que entusiasmo e campanhas para formar um cristão.
O mesmo acontece na Igreja católica, há mais tempo igreja do que eles. Estamos por aqui há pelo menos dezesseis ou dezessete séculos, desde que nos concílios de Nicéia e Calcedônia definimos qual doutrina queríamos seguir. A partir da liderança de Roma pode-se falar em catolicismo romano. E são os católicos que na missa admitem-se culpados e confessam diante de Deus e dos irmãos que precisam de reconciliação. O cristianismo católico passa por estes dois concílios e se acentua em outros. Mas admitimos que há pecado em nós. O cristianismo ortodoxo data do século XI e o evangélico do século XVI. O pentecostal tomou fôlego no século XIX. É claro que as datas variam a partir dos acentos históricos. Mas todas as igrejas que se prezam admitem que precisam de conversão constante.
Os católicos experimentaram esta fuga séculos antes dos neo-convertidos evangélicos que hoje caem na indiferença, a ponto de suas igrejas fazerem apelo na mídia para que voltem. Ir embora de uma igreja está como ir embora de um clube. O atleta recebe a oferta que julga mais vantajosa e na semana seguinte muda de estádio. O crente muda de templo e de pregador.
O fato é que muitos católicos foram para outras igrejas e voltaram; muitos vieram para nossa igreja e tornaram a nos deixar. Existe, pois, o que se chama de meia conversão. Motivados por algum sentimento efêmero, trocam de igreja para ir adorar o Senhor diante de outro púlpito ou altar, porque aquele modo de falar com Deus lhe parece o mais acertado. Mas emoções costumam ser seguidas de decepções. Na nova igreja também há pecado e exigências difíceis de engolir.
Como tudo tem um depois, é nesse depois que se verifica o sentido pleno de uma conversão. Alguém pode mudar de rota e prosseguir só por um trecho e depois voltar, ou pode mudar de rota e seguir aquele rumo até o fim. A palavra é perseverar!
A conversão supostamente é uma mudança para seguir até o fim. Se os crentes que mudam de templo procuram a igreja perfeita mudarão a cada nova decepção, até descobrirem que igrejas não são feitas de anjos. Então talvez parem de ir embora e perdoem suas igrejas. Naquele dia pode ser que também se lembrem de pedir perdão às suas igrejas. Às vezes também elas são ofendidas.