O Cordel: Uma definitiva identidade para Guarabira

(Foto: Reprodução)

São múltiplos os exemplos de marcas ou identidades culturais que tornaram conhecidas muitas cidades brasileiras, elevando-as a serem conhecidas em todo o país.

Esse fato quando bem explorado especialmente através do fluxo turístico, aumenta consideravelmente a renda econômica do município gerando emprego para muita gente, basta a ideia ser bem planejada para dá certo.

Campina Grande tornou-se conhecida nacionalmente por possuir o “Maior São João do Mundo”; São Bento como “A Cidade das Redes”; Cabaceiras como “A Hollywood (Roliúde) Nordestina”, e por aí vai.

Trazendo a discussão para nossa cidade pergunta-se: o que poderá tornar Guarabira conhecida regionalmente? Até agora essa tradição não existe, mas poderá existir.

Infelizmente esse rico tema é desconhecido e explorado muito pouco por nós, mas existe uma estreita vinculação histórica entre Guarabira e cordel.

Esse capítulo da nossa história começou a ser escrito a partir de 1909, quando aqui aportou o poeta cordelista Francisco das Chagas Baptista (avô de Altimar Pimentel) vindo de Serra do Texeira, e aqui implantou a primeira tipografia com o nome de “Popular Editora” especializada na produção de folhetos de cordel.

Após mudar-se para Parahyba (nome antigo da nossa capital) deixa aqui o seu irmão Pedro Baptista que reedita parte da obra do seu sogro e também poeta Leandro Gomes de Barros, pioneiro nessa arte.

A partir da segunda década do século XX Guarabira passou a ser conhecida com um dos mais desenvolvidos polos tipográficos de cordel de toda a região Nordeste, produzindo semanalmente e exportando milhares de folhetos para todo o Brasil. Vivenciando essa atmosfera de prosperidade na poesia popular, Guarabira passou a atrair muitos poetas que vinham fixar residência e produzir suas obras, como exemplo podemos citar Joaquim Batista de Sena (Joaquim Baraúna), que aqui instalou a Tipografia São Joaquim, produtora de cordel.

Guarabira é citada por vários pesquisadores brasileiros em suas diferentes obras sobre o cordel, não apenas como centro tipográfico, mas, por ser berço natal de grandes poetas populares. Manoel Camilo dos Santos, aqui nascido em 1905, é autor de fecunda obra no mundo do cordel, “Viagem a São Saruê” de sua lavra serviu como base para um célebre documentário do cineasta Vladimir Carvalho premiado nacionalmente. Camilo aqui criou a Tipografia Santos na década de 1940.

Temos o orgulho e a felicidade de em nossa terra ter nascido um gênio dessa arte, trata-se do poeta José Camelo de Melo Rezende, que nasceu em 1885. É ele o legítimo autor do folheto “Romance do Pavão Misterioso” a maior obra do cordel de todos os tempos sendo até hoje debatida e estudada na Universidade de Coimbra, em Portugal. Já se vendeu milhões de cópias no Brasil e no mundo, o cantor Ednardo gravou o “Pavão Misterioso”, sendo tema da novela Saramandaia (1997) exibida pela Rede Globo.

Afora esses dois grandiosos nomes ainda tivemos: Antônio Apolinário, Chico Pedrosa, Manoel Vieira do Paraíso, Apolônio Alves, Ismael Freire, mais recentemente surgem Marcio Bizerril, Artur Silva, Clébio Martins, Zé Silva e outros.

Toda essa história precisa ser resgatada, preservada, e divulgada para que todos tomem conhecimento de sua maravilhosa riqueza. Há cerca de dois anos estamos levando a ideia para que possa ser implantado um “Memorial do Cordel” em Guarabira, tornando-a a partir daí cidade referência em toda Região Nordeste para visitação e pesquisa desse tema.

Precisamos tão somente divulgar ao Nordeste e ao Brasil que aqui o cordel tem suas raízes fortemente sedimentadas e que delas brotou uma frondosa árvore cuja as folhas simbolizam os milhares de cordéis aqui produzidos ao longo das décadas.

Pelas razões expostas, podemos sem sombra de dúvidas batizar Guarabira com o nome de “Capital Nordestina do Cordel”, um dia isto se concretizará e quem viver verá!

Professor Vicente Barbosa