Os pés dos pais

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Quantas vezes precisamos deles. Quantos caminhos desbravaram na nossa frente. Quantos espinhos, banhados, estradas pedregosas pisaram. Quanta poeira comeram. Quantas noites de incertezas tiveram esperando que tudo desse certo nessa vida de tantas incertezas. Quantas inseguranças diante da criança que carregavam no colo.

Quantos pais tivemos. Quantos pais… Os pais dos próprios filhos. Os velhos pais. Os pais jovens. Os pais que nunca conheceram os filhos. Os filhos que foram pais. Os pais que nunca tiveram filhos. Os pais emprestados. Os pais presentes, os ausentes. Os que puderam e conseguiram. Os que nunca quiseram e podiam ter sido. Os que não puderam e queriam muito sê-lo.

O pai amigo. O pai distante. O pai que sumiu. O pai notável, o audaz, o ousado e destemido, arrojado. O pai campeão. O protetor.

O pai humano, dos vícios, dos defeitos, dos silêncios e das ausências. Quantos acertos e quantos erros. E cada um tem um pai. E cada pai é como é.

E o Pai dos pais, que é o Pai do Céu, na sua presença infalível, nos deu a cada um outro ser para chamarmos de pai.

Eles tem vários tamanhos, são de cores diferentes, cada qual com seus segredos, com seus estilos, seus conflitos, suas risadas e forma de andar. Cada um com sua forma de amar e de ser amado.

Cada um com seu colo, com seu riso, com seus silêncios.

Cada um com sua própria criança e suas criancices.

Pais fortes, pais fracos. Pais! Todos os pais são mágicos. São os nossos notáveis heróis, corajosos.

Andei sobre os pés gorduchos do meu pai. E busco todos os dias seguir os seus passos. E agora, que também sou pai, sei como é difícil essa caminhada nesse jogo da vida, onde a chegada está tão perto e tão distante, ali na frente bem na linha do horizonte.

A todos os pais, um feliz dia. Com amor! Paz, pais!