Semana de arte de 1922: novos rumos para sociedade brasileira

João Adriano é jornalista especializado em jornalismo cultural. (Foto: Arquivo Pessoal)

Formado em Jornalismo pela UEPB, especialista em Jornalismo Cultural e Mestre em Literatura e Interculturalidade (UEPB), com ênfase em Estudos Culturais. João Adriano Silva concederá uma entrevista ao programa “Sem Fronteiras”, na Rádio Rural de Guarabira, da poetisa e apresentadora Marisa Alverga, no próximo domingo (22), sobre a Semana de 1922 que culminou com o Modernismo no Brasil. O Nordeste1 conversou com o jornalista que antecipou alguns pontos a serem abordados na entrevista.

“Tudo começou em São Paulo e seu palco foi o Teatro Municipal. Talvez ninguém esperasse que aquela semana de 11 a 18 de fevereiro de 1922 viesse a refletir de forma tão contundente na sociedade brasileira. Um momento de ruptura com o passado, com a então forma de fazer literatura, principalmente a poesia. Novas formas de enxergar o nosso país na busca de uma identidade totalmente brasileira; buscava-se não apenas um modelo, mas um caminho que refletisse nossa forma de ser, de agir, de pensar. Surgia aí, o modernismo, que no começo causou um grande impacto, mas seus frutos vieram depois, principalmente depois do manifesto escrito por Monteiro Lobato e sua crítica voraz contra a arte de Anita Malfatti”, disse o jornalista.

Nordeste1 – Em quais áreas esse movimento refletiu e quais seus propósitos?

J.A – Se aperceber que era necessário recriar nossa arte. Refletir sobre os parâmetros sociais até então vigentes. Era preciso renovar, transformar todo contexto artístico cultural, isso refletiu não só na literatura, mas na música, nas artes plásticas, na arquitetura. A ordem do dia era subverter todos os valores e buscar uma arte nova, uma arte essencialmente brasileira.

Ne1 – Como essa Semana enxergava a arte do século XIX?

J.A – Enxergava de uma maneira muito peculiar. Era justamente contra essa forma de arte desse período histórico que os integrantes do movimento lutavam, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Menotti Del Picchia, Yan de Almeida Prado, Sergio Milliet, John Graz, Victor Brecheret, entre outros, principalmente contra o Parnasianismo e sua métrica que não dava liberdade de expressão ao poeta, engessando-o em sua maneira de criar. Tudo era meticuloso, metrificado, calculado. Uma estética europeia arcaica. Eles queriam novas liberdades, queriam experimentar a vida e a arte, sair do academicismo burguês e ir pra rua, para as vielas, para o interior. Acredito que eles queriam reinventar o “mundo” que os aleijava e os prendia em correntes de um passado alienado. Um passado sem uma identidade brasileira. Era necessário deixar de ser cópia e tornar-se original. “Mesmo assim ainda mantiveram aproximação com a vanguarda europeia.”