Sete meses depois do início, a campanha de vacinação contra covid-19 no Brasil atingiu seu maior ritmo e aplicou até a metade de agosto neste mês 22.378.300 doses – média de 1.491.886 por dia. Até agora, 54,61% da população adulta está vacinada com pelo menos uma dose e 23,7% recebeu as duas doses ou a aplicação única.

O avanço da vacinação foi acompanhado de redução de mortes e internações entre idosos de até 76%. A tendência, no entanto, dá sinais de reversão em alguns estados e já acendeu alerta em especialistas.

“É importante continuar com as medidas de prevenção: distanciamento, evitar aglomeração, uso de máscara e higiene constante das mãos. Principalmente com a chegada dessa nova variante, a Delta, que transmite igual a catapora”, diz a infectologista Ana Rachel Seni Rodrigues.

“Os casos estão aumentando no Rio de Janeiro, onde a Delta já parece ser a variante dominante. Ela pode dar sintomas muitos leves, como de um resfriado fraco, o que às vezes banalizado. Mas transmite muito, 97% a mais do que o vírus original.”

Desde a aplicação da primeira dose, no dia 17 de janeiro, em São Paulo, o país passou por altos e baixos no processo. No primeiro mês, foram 2,8 milhões de doses aplicadas, taxa que subiu a 6,3 milhões em fevereiro. Março, abril e maio trouxeram o primeiro crescimento relevante no ritmo de vacinação, com média mensal de 20 milhões em cada mês.

Problemas com a obtenção de IFA (insumo farmacêutico ativo) e a dependência das vacinas da Coronavac e Oxford, porém, mantiveram as entregas de doses irregulares em meio ao auge da segunda onda da pandemia, e a a capacidade no período passou longe do potencial do SUS (Sistema Único de Saúde) de aplicar cerca de 2,4 milhões de doses por dia.

A campanha não foi o suficiente para frear o avanço da variante Gamma (P1) do coronavírus, se disseminou por todo o país e causou o colapso do sistema hospitalar em diversas capitais brasileiras.