O encarregado de negócios da embaixada da Ucrânia em Brasília, Anatoliy Tkach, afirmou nesta sexta-feira (25) que a agência nuclear do país registrou “níveis de radiação mais altos que o normal” em Chernobyl.

Nesta quinta-feira (24), a Rússia iniciou uma invasão à Ucrânia. Segundo autoridades ucranianas, no mesmo dia, tropas russas tomaram a região onde fica o depósito de resíduos nucleares de Chernobyl — área que foi palco do maior acidente nuclear da história.

“Aparelhos de medição da radiação estão detectando níveis mais altos que o normal. Grave violação das normas de segurança. Acreditamos que foi causada pelo movimento dos armamentos pesados [russos], tanques que levantaram a poeira radioativa para o ar”, explicou Anatoliy Tkach.

Segundo o encarregado de negócios da Ucrânia, “pode haver uma catástrofe ambiental”. As informações foram dadas pela agência nuclear do país.

Reação mais forte do Brasil

Sobre a postura do governo brasileiro, o representante reforçou que os diplomatas ucranianos estão mantendo diálogo com o Itamaraty e esperam que o Brasil faça uma “condenação mais forte” da invasão russa.

“Todos observando qual será a posição do Brasil na votação da resolução porque essa vai ser a posição oficial do Brasil. Esperamos do Brasil declarações mais fortes de condenação [ao ataque]”, afirmou Tkach.

Mais cedo, o representante já havia dito que esperava uma reação “mais forte” do Brasil.

Outras manifestações

Está prevista para esta tarde reunião do Conselho de Segurança da ONU. Representantes de embaixadas que compõem o G7 — grupo composto por Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá, Japão e Estados Unidos — se reuniram nesta sexta (25), em Brasília, e também defenderam que o governo brasileiro condene a invasão da Rússia à Ucrânia durante o encontro.

O presidente Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o ataque russo. Na noite desta quinta-feira (24), em uma transmissão ao vivo, ele desautorizou o vice-presidente Hamilton Mourão, que condenou o ataque russo por desrespeitar a soberania da Ucrânia.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou uma nota pedindo a suspensão das “hostilidades” na Ucrânia, mas não condenou a invasão. O Itamaraty disse também que acompanha as operações militares “com grave preocupação”.