No nosso dia a dia, lidamos com situações e pessoas em diferentes contextos sociais. Momentos de raiva, dúvida, carinho, desprezo… Momentos diversos da nossa vida giram em torno da comunicação, seja ela verbal (escrita ou falada) ou não verbal, esta que é o nosso foco nesse texto. Estudos sobre a linguagem apontam que em uma situação comunicacional, apenas 7% das informações transmitidas para nossos interlocutores é feita de forma verbal, 38% vocal e 55% de maneira não verbal.

Desde os primórdios da humanidade, quando ainda não existia a língua escrita ou falada, o homem já se comunicava através de gestos, desenhos, grunhidos e sons, o que fazia com que a comunicação dentro daquele contexto fosse transmitida de forma efetiva. E a linguagem corporal necessariamente era o principal meio para que, primitivamente, a comunicação acontecesse, precedendo a linguagem verbal, esta que surgiu depois, devagar, trazendo novas formas de interação entre povos e culturas. Nossos ancestrais registraram imagens, como as pinturas rupestres e as inscrições egípcias, por exemplo, supostamente como uma forma de contar suas histórias, falar sobre suas experiências, leis, religiosidade, momentos históricos e dia a dia, precedendo assim a origem do alfabeto e da linguagem escrita. Porém, temos a forma não verbal de falar como a nossa primeira língua. Muitos estudiosos e pesquisados do campo da comunicação de dedicam até hoje em analisar profundamente sobre todas as vertentes e que a comunicação acontece, sejam elas faladas, escritas e silenciosas.

Ray Birdwhistel, norte americano responsável por desenvolver estudos sobre a Cinésica (campo de investigação e pesquisa sobre a linguagem silenciosa), nos mostra que em uma conversa, por exemplo, apenas 35% das informações são transmitidas verbalmente, e 65% do que é comunicado se dá através das expressões faciais, gestos e movimentos do corpo como um todo. Ou seja, a comunicação não verbal é aquela que fala muito sem dizer uma única palavra. O comportamento humano vai muito além da palavra dita, pois, muitas vezes, se diz uma coisa, mas o corpo fala outra. Sim, o corpo fala, e a sua linguagem é a mais verdadeira. Como nos mostra Pierre Weil, doutor em psicologia pela Universidade de Paris e educador, e escritor do livro O corpo fala”, nos mostra que “pela linguagem do corpo você diz muitas coisas aos outros. É uma linguagem que não mente”. Na escola aprendemos a ler e interpretar textos, mas esquecemos de atentar para a leitura e interpretação de pessoas.

A análise não verbal é saber identificar os detalhes da linguagem corporal e o que cada um deles diz, pois mesmo que a comunicação não verbal tenha sido a nossa primeira forma de linguagem, o tempo foi deixando com que a nossa atenção fosse se voltando para a fala e a escrita como únicas maneiras de transmitir informações. E na prática não é bem assim. Por exemplo, um bebê que ainda não desenvolveu a fala consegue comunicar-se com sua mãe através do choro, do sorriso, do olhar, da sonolência e dos gestos, o que amplia o nosso olhar sobre a importância da linguagem silenciosa, afinal, mesmo após desenvolvermos a fala e aprendermos a escrever, a linguagem corporal estará impregnada na nossa comunicação até o dia da nossa morte.

Nem sempre as palavras dirão o que realmente queremos dizer. Eis uma grande realidade. E como grande pesquisador brasileiro sobre o universo não verbal da interação social, temos o psicanalista e cientista comportamental com foco em linguagem silenciosa, Ricardo Ventura. Através de vídeos em plataformas digitais e de livros que já publicou, Ventura expande a nossa percepção sobre como saber ler a linguagem corporal das pessoas, ajudando a melhorar nossa relação em diferentes contextos sociais, principalmente para que tenhamos um olhar mais aguçado sobre quando estão mentindo pra gente.

Microexpressões faciais compõem um conjunto de “falas” que dizem muito mais do que as palavras que saem da boca. O olhar, principalmente, como dizem, realmente é o espelho da alma, pois através deles podemos saber se, por exemplo, alguém está buscando uma lembrança ou inventando uma mentira. E associados com a respiração, movimentos do corpo e expressões dos músculos da face, conseguimos SIM obter muitas informações decisivas na nossa relação com as pessoas. O mundo da comunicação é muito mais amplo do que se imagina. Ele não se limita em saber falar em público, ler perfeitamente ou ter uma dicção impecável, tudo isso é logicamente muito importante, mas a comunicação que está oculta por trás de tudo isso é a que realmente fala a verdade.

Ricardo Ventura, Ray Birdwhistel, Pierre Weil e muitos outros pesquisadores da comunicação não verbal são tão necessários para a nossa vida em sociedade como o estudo de qualquer outra área do conhecimento, pois na frase “não minta pra mim”, podemos extrair muitos significados. É sobre não ser enganado em diversos contextos sociais.

Se formos falar tudo o que está por trás da linguagem não verbal, escreveríamos laudas de laudas sobre o assunto. Trata-se de um estudo tão necessário que, aos pesquisarmos sobre, vemos que é um caso de utilidade pública, rsrsrsrs.

 

Maria Daniele de Souza Lima. Paraibana, 34 anos,  Professora de Língua Portuguesa, Especialista em Linguística e Literatura, Jornalista e Colunista. Apaixonada pela comunicação em todas as suas vertentes.