O ministro da da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, anunciou em pronunciamento em rede nacional nesta terça-feira (29) que está em teste no país uma vacina de RNA de terceira geração contra a Covid-19. Segundo o ministro, a nova vacina brasileira é superior a outras que estão no mercado. “A tecnologia dessa vacina é mais segura e eficaz,” afirmou.

“Em poucos meses poderemos dizer: ‘o Brasil tem soberania na produção de vacinas’. (…) Para chegarmos onde estamos hoje foram necessários cerca de R$ 1 bilhão em investimentos,” afirmou. Segundo ele, as vacinas produzidas por instituições brasileiras como Instituto Vital Brasil, Butatã e Fiocruz são reproduzidas por meio da replicação das tecnologias necessárias mediante a liberação internacional”.

Vacina RNAm

O uso de vacinas de RNA mensageiro (RNAm) foi permitido pela primeira vez com a emergência da pandemia da Covid-19. A tecnologia, no entanto, já é estudada há mais de três décadas e nunca havia tido seu uso viabilizadA antes da pandemia.

A novidade, contudo, levantou uma série de dúvidas em parte da população, por se tratar de uma substância biológica injetada em indivíduos supostamente saudáveis — diferente do remédio, que é usado em alguém doente.

Um dos principais motivos de desconfiança em relação às vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna, por exemplo, —  ambas baseadas em RNA mensageiro e as primeiras a serem liberadas nos EUA e União Europeia — é o fato de terem ficado prontas em menos de um ano.

Esses imunizantes possuem moléculas sintetizadas em laboratório com uma cadeia de material genético: o RNA mensageiro. Ao entrar nas células humanas, o RNAm funciona como uma espécie de receita de bolo. Ele instrui o organismo a produzir um pedaço da proteína de pico do SARS-CoV-2. É contra esses pedaços (inofensivos) do coronavírus que o sistema de defesa vai atuar e produzir anticorpos.

Governo frisa que vacina de RNA não gera modificação genética

Em nota técnica enviada em janeiro ao STF (Supremo Tribunal Federal) sobre vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19, a Secovid (Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19), do Ministério da Saúde, fez uma série de esclarecimentos sobre o assunto, rebatendo a possibilidade de que as vacinas com tecnologia RNA ocasionem algum tipo de modificação genética.

“As vacinas de mRNA (RNA mensageiro) mostram-se incapazes de integração do genoma humano e modificação genética”, frisou. A Secovid considera que os profissionais de saúde precisam se munir de conhecimento técnico para combater as fake news, que levam a população a ter dúvidas e desconfianças em relação à tecnologia RNA.

Para reforçar o argumento, a nota cita um estudo de revisão que refuta a possibilidade de mudanças no DNA, reiterando que não há ocorrência de interação entre o mRNA citosólico e o genoma, e, por isso, as vacinas de mRNA permanecem fora do núcleo da célula.

“A vacina de mRNA é não infecciosa e não é uma plataforma de integração com quase nenhum risco potencial de mutagênese por inserção”, explicou a secretaria na nota. Em sua fala inicial durante audiência pública para discutir a imunização de crianças na última terça-feira (4), a secretária Rosana Leite leu um texto no qual ressaltou a mesma informação.

Na nota, a Secovid ainda frisou que “é improvável que ocorra silenciamento de genes, visto que a expressão da proteína é independente do promotor”. “Embora as vacinas de mRNA sejam clinicamente eficazes e seguras, a principal vantagem dessa plataforma é sua capacidade de produção escalonável em um período extremamente curto. Assim, as vacinas de mRNA são uma opção de resposta atraente para a pandemia de Covid-19”, defendeu.

 

  • R7