A proximidade com o presidente Jair Bolsonaro (PL) vale mais para um deputado ser reeleito do que dinheiro para a campanha. É a avaliação implícita nas trocas na janela partidária.

Optaram por mudar de legenda até 6ª feira (1º.abr.2022) 135 deputados, 26% da Câmara. O prazo para a decisão se encerrou. Mas o número ainda poderá mudar com o balanço das alterações.

O PL ganhou 32 deputados. Mais do que dobrou de tamanho em relação à bancada inicial de 33.

O União Brasil liderou as perdas: 36 deputados. A legenda é resultado da fusão do PSL, que Bolsonaro deixou em 2019, e do DEM. Esperava atrair alguns congressistas próximos do governo. Tem o maior quinhão do fundo eleitoral: R$ 770 milhões.

Mas a sedução não funcionou. Os deputados preferiram o PL, com R$ 283 milhões do fundo, e outros partidos que apoiam Bolsonaro. O PP, com R$ 339 milhões do fundo, ganhou 21 integrantes, alta de 55% em relação à bancada eleita em 2018. O Republicanos, com R$ 242 milhões, ganhou 16, 53% a mais em relação aos 30 no início da legislatura. São os partidos do Centrão,  grupo sem coloração ideológica que já apoiou governos de esquerda, centro e direita.

Uma parte das trocas se explica por conveniências regionais. Prova disso é o PSD, independente, ter atraído 9 deputados, alta de 26% sobre os 35 de 2018.

Mas a maior parte a movimentação é resultado do poder de atração de Bolsonaro. A aposta  desses congressistas é que, além de ser um bom cabo eleitoral, ele seguirá no Planalto em 2023. Mas se ele perder não haverá problema: negociarão o apoio a quem vencer.

Fonte: Poder 360