‘Se as pessoas soubessem o que aconteceu, ficariam enojadas’. A frase, uma das mais famosas da internet, abre um texto igualmente consagrado. Trata-se da ‘fake news’ pioneira do ambiente virtual: uma denúncia de que a seleção vendeu sua derrota na final da Copa de 1998. Na ocasião, Ronaldo sofreu uma convulsão antes da partida, a equipe jogou mal e perdeu para a França por 3 a 0. A falta de explicação consistente para o que houve com o principal jogador do Brasil deu força àquela que talvez seja a maior teoria da conspiração do futebol. Depois de 24 anos, este episódio será resgatado com novas informações.

É o que promete o documentário, em fase final de produção, sobre a trajetória de Ronaldo Fenômeno entre 1998 e 2002. A produção, prevista para ser lançada antes da Copa do Catar, revê o período mais importante do hoje dono do Cruzeiro enquanto jogador: do Mundial em que ele sofre a convulsão e perde a final com a seleção, passando pelas lesões no joelho e o risco de dar adeus ao futebol até a redenção apoteótica no Japão, em 2002.

– Estamos falando da jornada do herói mais clássica. Ele chega no auge, em 1998, com 21 anos, toda expectativa do mundo nos ombros, e fracassa. Uma convulsão inexplicável, atuação apagada, estava no fundo do poço. Daí descobre que o poco é ainda mais fundo. Uma lesão no joelho, o médico dizendo que ele nunca mais iria jogar futebol e, pouco depois, é campeão da Copa fazendo dois gols na final e sendo eleito o melhor do mundo – comenta Marco Antônio Araújo, diretor-executivo da Beyond Filmes, produtora de conteúdo audiovisual do grupo de Ronaldo, a holding ODDZ.

O documentário é uma das apostas da produtora, que será lançada oficialmente nesta terça e também é responsável pelo conteúdo da Ronaldo TV, canal multiplataforma da internet. Ele é dirigido pelo britânico Duncan McMath, que já trabalhou com o ex-jogador na série “El Presidente”, sobre a compra do Valladollid e exibido na Espanha. Os direitos de exibição já foram negociados com uma plataforma de streaming, e o título ainda é mantido sob sigilo.

– É muito intimista e revelador da força mental do Ronaldo. E está maravilhoso. Com imagens inéditas, material de arquivo pessoal, entrevistas… – conta Araújo, que assumiu à frente da produtora após 14 anos de TV Globo.

A volta por cima em 2002 é o ponto alto da história, mas a final de 1998 será um capítulo à parte da produção. A explicação de que a convulsão foi causada por uma crise nervosa que Ronaldo teve na véspera da final é a mais aceita até hoje.

– O que posso dizer é que a gente tem grande momento do filme que é a convulsão. Essa história vai ser retratada de uma forma nunca feita antes. No sentido de trazer detalhes e revelações. É um momento especial do filme e acredito que vai repercutir – faz mistério o executivo.

  • O Globo