O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), realizou na manhã desta quarta-feira (1/6) nova assembleia com paralisação dos docentes, no estacionamento da Funarte. A assembleia começou às 9h30 e teve como principal pauta a possibilidade da realização de uma greve geral ainda em junho, mas a maioria foi contrária a essa possibilidade. Foi a quinta paralisação do Sinpro neste ano, e reuniu cerca de 4 mil profissionais de educação.

O sindicato também busca negociar com o GDF o reajuste salarial para os educadores, atrasado há sete anos e cuja defasagem chega a 53%. Além disso, a categoria reivindica o cumprimento da Meta 17 do Plano Distrital de Educação, que equipara a remuneração dos professores à média salarial dos demais servidores públicos, além de realização de concursos públicos.

Reivindicações

O professor de biologia João Bosco Monteiro, do Centro de Ensino Fundamental CASEB, conta que a categoria tinha indicativos que poderiam levar à greve, porém, o centro das discussões foi o reajuste de salários. “O governo atual nos trata com indiferença, com descaso”, disse.

Monteiro atua na educação há 37 anos, integra a diretoria do Sinpro há nove anos, e lembra que é insuficiente as conquistas alcançadas, como reajuste do auxílio alimentação e a implementação do auxílio saúde. “Ainda estamos longe de contemplar nossas reivindicações em sua plenitude”, disse.

Vanilce Diniz, professora do Centro De Ensino Fundamental Juscelino Kubitschek de Planaltina e membro da diretoria do Sinpro, afirma que o atraso no reajuste dificulta cada vez mais o sustento das famílias e que os salários dos professores perdem, a cada dia, o poder de compra. “Estamos sofrendo para manter em dia nossas contas cotidianas”, lamenta.

Ela também conta que a questão da infraestrutura nas escolas merece atenção especial do próprio sindicato. Salas superlotadas e falta de auxílio a estudantes com necessidades especiais são alguns dos pontos mais relevantes para se discutir no momento, segundo ela. “Não temos um projeto voltado para a educação. A secretaria não consegue apresentar um projeto claro. Tudo tem sido feito de forma até autoritária”, afirma.

Não haverá greve

A primeira proposta colocada em votação na assembleia foi a da realização de uma greve geral dos professores, com início em 6 de junho. Porém, a categoria optou por não seguir adiante com a ideia, e decidiu votar contra.

A decisão, embora tenha sido decicida com uma diferença considerável, gerou opiniões divergentes. Roque Teixeira, professor da Escola Técnica de Ceilândia, considerou adequada a decisão da maioria. Este é um ano de luta, mas eu acredito que a greve não seja o melhor instrumento para a gente conseguir o que queremos agora”, disse.

Já a professora da Escola Classe 115 Norte, Thelma Maria da Silva, afirma que somente com a mobilização e a paralisação as reivindicações da categoria podem ser ouvidas e alcançadas. “Não adianta a diretoria negociar entre quatro paredes com a categoria trabalhando. Precisamos parar, para assim garantirmos a nossa recomposição”, afirmou.

A professora conta que, embora seja compreensível, a categoria não deve ficar “dependente” do posicionamento da diretoria, e que os professores poderiam, sim, se mobilizar e cogitar a possibilidade de realizar uma greve o quanto antes.

Mesmo sem greve, a assembleia aprovou a realização de um ato em prol da educação e contra o GDF, marcado para 11 de junho, em local ainda a ser definido.

*Estagiário sob a supervisão de Jáder Rezende

 

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