Uma das inserções do PL que vão ao ar a partir de quinta-feira (2) mostra o presidente Jair Bolsonaro numa roda de conversa com jovens em que o mandatário exalta Deus, a família e argumenta aos seus interlocutores que eles devem “ouvir os pais”.

Ao todo, serão 40 inserções que serão veiculadas até 11 de junho. Numa das gravações, de 30 segundos, o chefe do Executivo diz aos jovens que eles devem ouvir os pais porque são as pessoas “que falam a verdade para vocês”.

“A família é a base de tudo”, diz. O vídeo expõe a estratégia da campanha de tentar reduzir a rejeição no eleitorado mais novo.

Na mais recente pesquisa do Datafolha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 58% das intenções de votos de jovens de 16 a 24 anos, contra 21% de Bolsonaro.

No cenário de primeiro turno geral, Lula desponta com vantagem de 21 pontos sobre Bolsonaro —o petista pontua com 48%, ante 27% do mandatário.

A gravação acaba com uma frase do chefe do Executivo em tom de campanha. “Sem pandemia, sem corrupção e com Deus no coração seremos uma grande nação”, diz.

Bolsonaro aposta no discurso conservador e diz aos jovens que os pais às vezes parecem “chatos” porque dizem a verdade, mas que é necessário confiar no que falam.

“Os teus pais são aqueles que dão a vida de verdade por vocês, por que não ouvi-los?”, afirma. E completa: “Você vai se orgulhar lá na frente dessas pessoas que te botaram na linha lá atrás”.

Nessa gravação, outra intenção é mostrar Bolsonaro mais tranquilo, uma vez que pesquisas internas mostraram que a população, em geral, entende que o presidente é irritadiço.

No vídeo, ele aparece com um tom mais sereno, sorridente e tirando selfie com os interlocutores. Também dá para ver que a conversa ocorreu em um cenário montado.

Ao final, aparece uma mensagem incentivando as pessoas a ingressarem no PL: “Faça como o presidente Bolsonaro: filie-se ao PL”.

Como mostrou a Folha, a gravação ocorreu na semana passada, na Capela São Pedro Nolasco, na Vila Telebrasília, pequena comunidade próxima à área nobre de Brasília.

A quantidade de inserções por partido varia de acordo com o desempenho de cada sigla na última eleição nacional, em 2018.

De acordo com interlocutores, os participantes não eram apoiadores, para tentar tirar a pecha de autoritário e passar a ideia de que dialoga com pessoas que discordam dele.

 

FolhaUOL