Pré-candidatos à presidência da República provocaram diferentes reações em uma plateia de mais de 1200 empresários durante evento da Confederação Nacional da Indústria em Brasília nesta quarta-feira 29. Simone Tebet (MDB), Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PL) foram alvos, respectivamente, de aplausos tímidos, pouco entusiasmo e quase aclamação. O ex-presidente Lula (PT) foi convidado, mas não compareceu.

Em seu discurso, Tebet enfatizou a erradicação da miséria, que atinge 33 milhões de brasileiros, a desigualdade social e em um programa de transferência de renda que apresente porta de saída às famílias beneficiadas.

A pré-candidata só teve o discurso interrompido uma única vez, por aplausos tímidos, quando disse que pretende aprovar uma reforma tributária nos primeiros seis meses de governo.  “Está pronta, simplifica, e desburocratiza”.

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Mesmo sem citá-lo diretamente, Tebet criticou o governo Bolsonaro pelo ‘retrocesso civilizatório’ a que impôs o País e se colocou como a candidata “contra a polarização” e o “único caminho para paz na briga ideológica”.

“Nunca imaginei que hoje teria que defender a democracia e valores democráticos”, afirmou a emedebista para nenhuma reação dos presentes.

Na sequência, Ciro, que participou virtualmente, também não empolgou ao tratar da taxa básica de juros, da retomada das obras paradas e da necessidade de aumentar o consumo das famílias. Nem mesmo quando criticou uma declaração de Lula sobre commodities e produtos manufaturados a plateia reagiu.

“É preciso que ponhamos nossas convicções ideológicas de lado para não deixarmos nos contaminar com argumento tolo”, declarou. “A complexidade da crise brasileira não nos permite alimentar ilusão, exige um amplo debate”.

O pedetista enfatizou a qualidade da educação pública no Ceará e propôs repetir no Brasil os modelos que considera de sucesso no estado. “Em vez do decoreba, estamos ensinado perguntar. Aqui, 100% dos alunos saem com estágio remunerado pelo governo na indústria”.

A falta de entusiasmo com o pedetista ficou evidente quando a organização do evento noticiou a mudança no comando da Caixa Econômica Federal, após denúncias de assédio contra o ex-presidente da estatal, Pedro Guimarães.

“Uma autoridade pública que usa do seu poder para constranger sexualmente uma mulher é um bandido. Tinha que ser demitido e responder pela cadeia”, disse Ciro entre aplausos e risos de uma pequena parte da plateia.

Ao contrário do que ocorreu com os adversários, Bolsonaro foi aplaudido de pé logo no início de sua participação. Ao menos quatro vezes, o presidente teve o discurso interrompido pelas palmas quando citou temas como titulação de terras a membros do MST e ideologia de gênero.

O ex-capitão criticou as políticas sanitárias de combate à Covid-19 que, para ele, foram responsáveis por agravar a crise que o País atravessa e listou as ações do governo, como Auxílio Emergencial, para recuperar a economia.

Bolsonaro ainda criticou governos anteriores e afirmou que, no combate à corrupção, “nós estamos muito bem”. “Não temos nenhuma corrupção endêmica no governo, tem casos isolados que pipocam e a gente busca solução pra isso”, declarou. Ao fim do discurso, alguns presentes gritaram ‘mito’.

Durante um dos intervalos do evento, CartaCapital ouviu avaliações de alguns empresários. O apoio a Bolsonaro dava o tom, além de críticas a Lula. Ciro e Tebet receberam elogios e comentários negativos pontuais.

Dias antes, a CNI enviou a todos pré-candidatos uma série de propostas sobre relações do trabalho, políticas de emprego e previdência. O presidente da Confederação, Robson Andrade, defendeu o investimento na economia 4.0 e de baixo carbono.

“Para dar esse salto, é preciso implementar uma estratégia nacional de longo prazo que estimule a ciência, a tecnologia e a inovação”, discursou Andrade. “Essa política deve ter instâncias de governança bem definidas, recursos adequados, e metas e prazos ambiciosos”.

 

 

Carta Capital