Quinta-feira, 30 de junho, derradeiro dia do mês, último dia do primeiro semestre de 2022, ano complicado. Tempos difíceis, neuróticos, indefinidos, muitas crises. Desconfio, que Deus, o Criador, deve estar arrependido de criar a raça humana, que ao longo do tempo foi se autoflagelando, acelerando nossas misérias.

As crises fazem parte da história da humanidade, não há tempos sem contendas, pandemias, diásporas, guerras, -a maioria dos territórios dos países foram conquistados por disputas bélicas. Mas, assistir a uma guerra fratricida em pleno Sec. XXI, no Velho Mundo, na Europa, entre a Rússia e seu poderio bélico, e Ucrânia, que já ultrapassa 120 dias, dizimando mais de 50 mil vidas, segundo autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU), representa insanidade e bestialidade.

E, a invasão da Ucrânia continua, sem que Wladimir Putin dê ouvidos aos seguidos apelos do Papa, de Joe Biden, dos líderes europeus, clamor popular mundo a fora. O tirano segue dando ordens para seus soldados invadirem, matarem, aniquilarem tudo por onde passarem. Putin, que não é besta, refastelado no conforto e mordomias do Kremlin, assiste pela TV russos e ucranianos se matarem.

A crise climática que assola o planeta, está cada vez mais nos impactando em diferentes partes do mundo. Para quem via a fúria da natureza como algo distante, como os tsunamis na Ásia e Oceania, suas imagens de destruição e morte; elas chegaram até nós. As recentes enchentes no interior da Bahia, Petrópolis, Rio; interior de MG, e mais recentemente em Recife e cercanias, deixando um saldo de 128 mortos e milhares de desabrigados, é prova que as mazelas fazem parte do nosso cotidiano, não aprendemos nada, absolutamente nada sobre a arte da convivência harmoniosa entre homem X meio ambiente.

As imagens que temos acompanhado sobre a poluição dos rios, mares e oceanos são aviltantes. O plástico, o vilão, está matando peixes, tartarugas, a vida marinha em geral, e vai nos adoecer, e seguramente nos matar. Continuamos produzindo mais lixo e mortes.
A crise sanitária do coronavírus, desencadeada a partir dos últimos dias do ano de 2019, com epicentro em Wuhan, na China, espalhou medo, destruição e morte pelo mundo, continua a nos assustar. Segundo dados da OMS, estamos perto de 7 milhões de óbitos, o Brasil, terceiro colocado no triste ranking, foram 687 mil vidas ceifadas pelo flagelo do coronavírus. Estamos presenciando uma crise de insanidade mental, mais de 20 milhões de brasileiros deixaram de tomar as doses de reforço da vacina, colocando em risco suas vidas e dos demais.

Se brigou tanto pela vacina, e agora que sobra vacina, o sujeito não se vacina, vá entender o ser humano. Enquanto uma multidão rejeita a vacina no Brasil, em alguns países da África, apenas 18% da população foi vacinada. Enquanto não entendermos que só há um mundo para todos, não evoluímos. O Corona, esse vírus invisível, traiçoeiro e altamente letal está aí para ensinar. O Corona nos nivelou: maltrata e mata rico, pobre, feio, bonito, brancos, pretos e amarelos.

Mas, a maior crise que vivemos, é a moral. Ao acompanhar o noticiário, tenho a impressão que deu a louca no mundo. Além das disputas políticas em todos os lugares do mundo, por ideologias, até algum tempo atrás seria impensável o comportamento tresloucado de um presidente dos EUA, como o de Donald Trump, que está sendo julgado por seus pares, por sua irresponsabilidade na transição de poder em 20 janeiro de 2021. O mau exemplo de Trump é copiado por aqui.

Sempre houve crise no mundo, mas existiam homens e mulheres bem mais preparados e bem intencionados para lidarem com ela. Eram os Estadistas:
“Estadista ou homem de Estado, na definição de Houaiss, é pessoa versada nos princípios ou na arte de governar, ativamente envolvida em conduzir os negócios de um governo e em moldar a sua política; ou ainda pessoa que exerce liderança política com sabedoria e sem limitações partidárias”.

Hoje, são homens desprovidos de visão de futuro, sem estofo intelectual, atreladas a questiúnculas, de tamanha pequenez, mero ocupantes de palácios. Isso, no mundo todo. Por isso que o czar russo Wladimir Putin ocupou o lugar na cena mundial com seu poderio bélico, e não ouve ninguém.

A fome voltou a assolar o mundo, especialmente o Brasil, o grande celeiro mundial de alimentos, tornando-se um caso emblemático de que não temos olhos voltados para o futuro. Falta de políticas públicas. Alguém acha que o mandatário-mor da nação está preocupado com algo que não seja sua reeleição? Ou fugir da justiça?
E, para completar estamos em um período eleitoral, para elegermos através do voto, democraticamente, nossos dirigentes. O que seria a oportunidade de escolhermos o melhor, triste situação, ficamos reféns de duas correntes políticas nocivas, predadoras e irresponsáveis, que não têm projeto de Nação, projeto de futuro, mas projeto de poder para si e seus asseclas. Se o quadro político não mudar, iremos às urnas em outubro escolher entre um ex-presidiário e um futuro presidiário.

O Brasil por seu tamanho, suas riquezas, seu poderio, homens e mulheres de bens, não era para estar nessa situação, em movimento pendular entre o ruim e o péssimo. O mais espantoso nisso tudo, que o Brasil, um dos maiores do mundo, 214 milhões de habitantes, como chegou nessa situação de desesperança.
Não celebro apenas a passagem de ano, mas também a passagem de meio-ano. Como faço todos os anos, na virada de 30/06 para 01/07, abri uma garrafa de vinho, no silêncio da noite, e clamei a Papai do Céu pedindo sabedoria, paciência e resiliência para atravessar os áridos seis meses.

Parafraseando meu conterrâneo Gonçalves Dias: “A vida é combate que os fracos abate, que os fortes, os bravos, só podem exaltar”. Como brasileiro, que não desiste nunca, vamos que vamos.
Saúde, sucesso, sorte, sabedoria, sonhos, fé, paz, realizações, conquistas e proteção divina, pois sem Deus nada de bom acontece.

Luiz Thadeu Nunes e Silva
Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista, autor do livro “Das muletas fiz asas”, o sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 143 países em todos os continentes.