Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião deliberativa com item único. Emendas de Plenário à PEC 6/2019, que modifica o sistema de previdência social. rrEm pronucnaimento, à mesa, presidente da CCJ, senadora Simone Tebet (MDB-MS).rrFoto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A ala do MDB que apoia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tenta viabilizar a aliança da sigla com o petista ainda no primeiro turno decidiu atuar para tentar adiar a convenção nacional da sigla, evento que oficializaria o nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) como candidata à Presidência da República. A articulação foi discutida pelos emedebistas aliados de Lula com o ex-presidente Michel Temer na tarde desta terça-feira, 19, em São Paulo. Na prática, caciques do MDB tentam ganhar tempo para tentar convencer a cúpula da legenda a desistir da candidatura da parlamentar, escolhida pela chamada terceira via, bloco também composto pelo PSDB e pelo Cidadania, que ainda não decolou nas pesquisas de intenção de voto.

“[Fizemos esse apelo ao ex-presidente Michel Temer] Para restaurar a instância da conversação. Veja que o Baleia se recusou a conversar com os representantes dos onze diretórios [que apoiam o ex-presidente Lula]”, disse à Jovem Pan o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O parlamentar se refere à publicação feita na tarde desta terça-feira, 19, pelo presidente nacional do partido, Baleia Rossi, em seu perfil no Twitter. No post, o dirigente diz que MDB, PSDB e Cidadania “decidiram que suas convenções nacionais para homologar Simone Tebet como candidata à Presidência do Brasil serão no dia 27 de julho”. “Esta data está mantida”, escreveu.

Na segunda-feira, 18, líderes do MDB de 11 Estados se reuniram com a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) para manifestar o apoio à candidatura de Lula. “Estamos aqui representados por 11 estados e pelas lideranças das duas bancadas do MDB para dizer da nossa decisão, portanto, de caminhar com a candidatura Lula e Alckmin já no primeiro turno”, disse o líder do partido no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM). No encontro, também estiveram presentes os senadores Veneziano Vital do Rêgo (PB), Rose de Freitas (ES), Marcelo Castro (PI), o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (CE), o ex-senador e ex-governador Edison Lobão (MA), o ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima (BA e o presidente do diretório estadual MDB no Rio de Janeiro, Leonardo Picciani.

O movimento desta ala do MDB já estava precificado pela cúpula do partido. Segundo relatos feitos à Jovem Pan, Baleia Rossi deu aval às negociações firmadas pelos correligionários com o ex-presidente Lula. O presidente nacional do partido teria pedido, porém, que os caciques não criassem “obstáculos” para que a candidatura de Tebet fosse oficializada na convenção. Um interlocutor de Rossi disse à reportagem que o fato do evento ter sido programado para ocorrer de forma virtual era “a prova cabal” de que o mandatário da sigla estava confiante no acerto firmado.

‘Efeito primeiro turno’

Há, ainda, outro componente nas tratativas emedebistas e lulistas. Em conversas recentes com aliados, o ex-presidente disse que o eventual apoio de partidos de centro, como o MDB, o PSD e o União Brasil seria importante para uma vitória em primeiro turno. Líderes petistas avaliam que a capilaridade do MDB, que nas eleições de 2020 elegeu o maior número de prefeitos pelo país, turbinaria a campanha de Lula. Enquanto as siglas resistem, Lula avança por “acordos pontuais”. Na semana passada, o petista fechou uma aliança com o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) e com o deputado federal Neri Geller (PP-MT), ex-ministro da Agricultura do governo Dilma Rousseff (PT) e líder da bancada ruralista no Congresso Nacional. O parlamentar do PP concorrerá ao Senado pelo Mato Grosso com o apoio do PT. Fávaro, por sua vez, coordenará a campanha do ex-presidente no Estado.

 

Jovem Pan