Ao menos 18 pessoas morreram após uma operação policial no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, realizada na quinta-feira (21/7), segundo a Polícia Militar.

Dessas mortes, 17 foram registradas na quinta-feira e uma na sexta-feira (22/7).

A Policia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) divulgou que, entre os mortos, há 15 “suspeitos”, um policial e duas mulheres.

A PMERJ havia informado mais cedo na sexta-feira que eram 19 mortos, mas a informação foi corrigida depois.

A Polícia Civil informou que um traficante havia sido contabilizado erroneamente. Ele está vivo e foi preso em flagrante.

A polícia informou ainda que 12 mortos na operação já foram identificados e que o processo de identificação dos demais está em andamento no Instituto Médico Legal (IML).

Entre os já identificados, 10 são definidos pela autoridades policiais como “criminosos que participaram do confronto”. Desses, dois não possuem passagens pela polícia.

De acordo com a PMERJ, a operação se encerrou na própria quinta-feira, porém uma das bases da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília, no Alemão, foi atacada por criminosos com disparos de arma de fogo na manhã de sexta-feira.

A polícia informou em nota à BBC News Brasil que “não houve confronto envolvendo policiais militares que estavam no local”.

Após o ataque, segundo autoridades policiais, uma mulher identificada como Solange Mendes da Cruz, de 49 anos, foi baleada durante ação da Polícia Militar para a retirada de barricadas na região na sexta.

A PMERJ divulgou que Solange foi encontrada ferida e foi socorrida por policiais, que a levaram para o Hospital Estadual Getúlio Vargas.

De acordo com o portal G1, com base em relatos de testemunhas, a mulher teria sido alvejada por um policial na localidade da Caixa D’Água.

Conforme as autoridades policiais do Estado, a operação de quinta-feira tinha como objetivo combater o roubo de veículos, de carga e de bancos na cidade.

A PMERJ disse que cerca de 400 policiais participaram da ação, que contou com quatro aeronaves e dez veículos blindados.

“As informações dos setores de inteligência apontam a presença de criminosos da região do Complexo do Alemão praticando roubos de veículos principalmente nas áreas dos bairros do Grande Méier, Irajá e Pavuna”, afirmou a PMERJ na quinta-feira.

“Esse grupo criminoso vem empreendendo roubos a bancos como aqueles que ocorreram no município de Quatis, em Niterói, e na Baixada Fluminense, e roubos de carga, além de planejar tentativas de invasão a outras comunidades. Entre os roubos de carga realizados pelos criminosos, constam roubos de óleo diesel para derramar em ladeiras quando estivessem ocorrendo operações visando dificultar o avanço de guarnições policiais.”

Autoridades policiais do Rio de Janeiro informaram que a operação apreendeu uma metralhadora – que segundo a polícia seria capaz de derrubar helicópteros -, quatro fuzis, duas pistolas, nove carregadores de fuzil, 56 artefatos explosivos e grandes quantidades de drogas.

No início da operação, segundo a polícia, criminosos atacaram bases das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), além de terem derramado óleo em via pública e ateado fogo em objetos como forma de protesto. Conforme a polícia, as armas estão sendo apreendidas para perícia.

A investigação tem sido feita pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que ouve agentes e testemunhas.

A ouvidoria da Defensoria Pública do Rio de Janeiro e a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) acompanham o caso.

Na quinta-feira, as entidades chegaram a informar que havia 20 mortos na comunidade, mas, horas mais tarde, a informação foi corrigida para 17 – novos números não foram divulgados na sexta-feira.

Fonte: BBC Brasil