Luiz Thadeu ao lado dos seus filhos, Rodrigo e Frederico.

Sou feliz por ser pai. Criei meus dois filhos, Rodrigo e Frederico, dizendo a eles, que para mim, a melhor coisa do mundo é filho. Desde pequenos eles sabem da importância que eles têm em minha vida. São filhos desejados, planejados, esperados e amados. Adultos, barbudos, formados, casados, trilhando seus caminhos, continuo afirmando, “a melhor coisa do mundo é filho”.

Os pais de antigamente pouco participavam dos afazeres domésticos: não davam banhos, não trocavam fraldas, não faziam mingau e papa seus pequenos. Aos pais de antigamente cabia o lado rígido da criação: prover a casa, sustentar a prole, geralmente numerosa. Eram tempos de homem de pouca emoção; demonstrar afeto, amor, essas coisas cabia às mulheres. Tempos em que era sinal de fraqueza homem demostrar amor, afeto, ternura.

Lembro de meu pai, que passava a maior parte do tempo fora de casa, nunca demonstrar esses sentimentos conosco. Nem pensar em papai lavar uma fralda ou limpar bunda de um filho. Como primogênito, lembro dele dizendo para minha mãe, “Dinha, como minha mãe era chamada, vem cá, tem um aqui chorando, olha o que ele tem”. E, arrematava, “só gosto de criança limpinho e sem choro”. As demonstrações de amor dele eram de outra forma.

Sou de uma geração que mudou o comportamento quanto à participar da criação dos filhos. Com meus filhos, fiz tudo: dei banho, troquei fraudas, fiz mingau e papa. Só não amamentei, porque peito de homens não produz leite.

Os pais de hoje são mais presentes. Vejo no meu entorno homem ficar em casa, cuidar dos filhos, enquanto a mulher vai a labuta. Que é o correto. Por que sobrecarregar a mulher? Nada disso afeta a masculinidade do homem atual, ao contrário, ajuda a derrubar tabus seculares.

A sociedade evoluiu, mudou para melhor; com a participação de todos, tudo fica mais leve, a vida flui melhor. Antigamente, licença maternidade era impossível, hoje, uma realidade. São conquistas da sociedade.

Ser pai é um exercício permanente e constante de aprendizado, construção da relação com um ser que tem nossa participação em sua gênese, mas com vida própria. Um filho é a continuação de nossa genética, a continuidade de nossa permanência na terra, nossa edição melhorada.

Me renovo todos os dias com Rodrigo e Frederico, aprendo coisas novas, me conecto com o mundo de forma direta, no fio condutor do tempo.

Nasci para ser pai, amo acompanhar cada fase do desenvolvimento dos meus filhos. Hoje com eles adultos, formados, encaminhados, casados, alçando seus voos, sinto falta de um filho pequeno, em especial de uma filha, para alegrar a casa. Quando vejo que no Brasil há 12 milhões de lares em que os filhos são criados por mães solos, sem a presença dos pais, vejo com preocupação, pois isso gera problemas e traumas.

Segundo o IBGE, muitas famílias são uniparientais. São famílias chefiadas por mulheres, que têm que criar seus filhos sem a presença paterna. Uma das grandes preocupações de quem cria os filhos sem o pai por perto é a falta de referência masculina na formação da criança.

O que acontece quando não há a presença paterna na formação da criança? Segundo especialistas, tende haver uma substituição. Qualquer adulto masculino, próximo, pode representar a figura paterna. Pode ser o avô, um tio, ou um amigo da família.
Se me perguntam o que é ser pai? Como não há cartilha que ensine, sigo me esforçando cada dia na tentativa de ser um pai melhor.
A maior recompensa de um pai é ter o respeito, atenção e amor de um filho.
Feliz Dia dos Pais a todos.

Luiz Thadeu Nunes e Silva
Sobre o autor: Eng. Agrônomo, Palestrante, cronista e viajante: autor do livro “Das muletas fiz asas”, o sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 143 países em todos os continentes da terra.