O complexo nuclear de Zaporizhzhia está sob controle russo desde março.

O porta-voz da ONU (Organização das Nações Unidas), Stephane Dujarric, afirmou nesta 2ª feira (15.ago.2022) que a organização tem capacidade de proporcionar uma visita de inspetores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) ao complexo nuclear de Zaporizhzhia, se a Rússia e a Ucrânia concordarem. As informações são da agência Reuters.

A usina de Zaporizhzhia está localizada na cidade de Enerhodar, à margem do reservatório de água Kakhovka. Fica a cerca de 200 quilômetros da região separatista de Donbass e a 550 quilômetros a sudeste de Kiev.

É a maior usina nuclear da Europa. Está sob comando russo desde março. Em 8 de agosto, a Ucrânia pediu que o complexo seja desmilitarizado, por temer uma catástrofe como a de Chernobyl, em 1986.

Segundo a Reuters, Dujarric disse a jornalistas que “em estreito contato com a AIEA, o Secretariado da ONU avaliou que tem a capacidade logística e de segurança na Ucrânia para apoiar qualquer missão da Agência à Usina Nuclear Zaporizhzhia de Kiev”. Entretanto, o porta-voz ressaltou que é necessário que ambos os países concordem com a operação.

Em 11 de agosto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, divulgou um comunicado pedindo o fim imediato das atividades militares russas no complexo de Zaporizhzhia. Segundo ele, é “urgente” estabelecer um acordo técnico sobre a área, a fim de garantir a segurança e assegurar um perímetro desmilitarizado.

No mesmo dia, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, também falou sobre a situação. Em comunicado, Grossi pediu que “ambos os lados deste conflito armado cooperem com a AIEA e permitam uma missão à Usina Nuclear de Zaporizhzia o mais rápido possível”.

A Rússia e a Ucrânia trocam acusações a respeito da responsabilidade dos ataques à usina nuclear ucraniana. De acordo com a Reuters, o Kremlin acusa Kiev de atirar de forma “imprudente” contra a usina. Em resposta, a Ucrânia diz que o exército russo tem utilizado a estrutura do local como proteção, uma vez que não é possível atacá-lo devido ao risco nuclear.

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