Jogadores do Shakhtar Donetsk e do Metalist 1925 Kharkiv fazem um minuto de silêncio pelas pessoas que perderam a vida enquanto o ataque da Rússia à Ucrânia continua. Gleb Garanich/Reuters

Há 31 anos, foi emitida a Declaração de Independência da Ucrânia da União Soviética, uma ocasião tradicionalmente marcada por celebrações e desfiles militares nas ruas de Kiev, capital do país.

O Dia da Independência este ano, porém, também marca seis meses desde que a Rússia começou a guerra contra o país do Leste Europeu, que continua a se espalhar. Entre os mortos estão 133 atletas e treinadores ucranianos, anunciou o Ministério da Juventude e Esportes da Ucrânia.

“A Rússia invadiu a Ucrânia e tirou suas vidas: 133 atletas e treinadores morreram no campo de batalha e por bombardeios inimigos. A bandeira não será mais hasteada e o hino não será mais tocado, em homenagem às vitórias esportivas dos atletas falecidos”, escreveu o ministro da Juventude e Esportes, Vadym Gutzait.

CNN não pôde confirmar de forma independente o número de atletas e treinadores ucranianos que faleceram em decorrência do conflito.

O site “Sports Angels” detalha a vida de cada esportista morto durante a guerra – alguns em missões de combate, alguns em suas casas destruídas por bombardeios.

O arqueiro Dmytro Sydoruk, por exemplo, “morreu defendendo a Ucrânia”. Depois de se machucar, em 2014, Sydoruk representou seu país nos primeiros “Jogos Invictus”,  em 2017 – um evento para soldados feridos que foi fundado pelo príncipe Harry –, e ganhou uma medalha de prata no tiro com arco.

Sydoruk era o treinador dos “Jogos Invictus nacionais” e “Warrior Games”, bem como coordenador da equipe Invictus em Lviv.

“Ele sempre tentou ajudar todos os veteranos que se uniram em torno do esporte. Ele passou suas habilidades para crianças, trabalho em equipe altamente valorizado e ambiente esportivo veterano”, disse o Comitê de Esportes da Ucrânia em uma homenagem.

Ivan Bidnyak, ex-medalhista de prata no Campeonato Europeu de Tiro, também foi morto enquanto lutava na região de Kherson. Ele tinha 36 anos, representou a Ucrânia no Campeonato Mundial e foi o primeiro ucraniano a competir no tiro nas Olimpíadas de Londres 2012.

A ginasta Kateryna Diachenko, de onze anos, teria sido morta após um projétil atingir sua casa em Mariupol em 10 de março, junto com seu pai, mãe e irmão.

“Descanse em paz, Katya! A jovem e bela ginasta de Mariupol deixou este mundo muito cedo. Ela é uma das muitas vítimas de uma guerra sem sentido. Os pensamentos de toda a família RG estão com a sua”, publicou no Instagram a conta oficial da Swiss Rhythmic Gymnastics.

Tentando voltar à vida normal

O anúncio do Ministério da Juventude e Esportes da Ucrânia aconteceu um dia após o reinício da Premier League ucraniana, a série A do futebol local, enquanto o país tenta encontrar algum sentido de vida normal.

Porém, mesmo esses jogos estarão longe de ser normais, com os atletas preparados para correr para abrigos antiaéreos em caso de ataques aéreos. Além disso, militares, em vez de torcedores, estarão presentes e, se as sirenes continuarem por mais de uma hora, decidirão junto aos oficiais da partida se o jogo deve continuar.

“Ouvimos uma sirene ontem de manhã antes do jogo”, relatou Darijo Srna, diretor de futebol do Shakhtar Donetsk, a Amanda Davies, da CNN Sport, depois que seu time iniciou o torneio com um empate em 0 a 0 contra o Metalist 1925 Kharkiv.

“Estávamos no hotel, começando a ir para o estádio. Estávamos apenas rezando para não ouvir uma sirene por 90 minutos, pois, caso contrário, deveríamos ir para o subterrâneo esperar o perigo passar”, afirmou.

“Não foi um bom resultado, mas os nossos torcedores estão muito felizes e o povo ucraniano está muito feliz, porque começamos a fazer algo que gostamos: jogar futebol”, comemorou.

O retorno também acontece após o atual campeão da liga ucraniana, o Dínamo de Kiev, ser derrotado pelo Benfica na última pré-eliminatória da Liga dos Campeões e ver o sonho de jogar a competição acabar.

O Dínamo fez o jogo em casa em Lodz, na Polônia, devido às impossibilidades logísticas de realizar uma partida em Kiev.

O devastador e prolongado conflito custou a vida de muitos civis e combatentes. Em 22 de agosto, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) registrou 5.587 mortes de civis na Ucrânia, embora observe que os números reais devem ser consideravelmente maiores.

 

CNN