Rafael Navarro em disputa de bola com o experiente zagueiro Thiago Heleno, pé quente em jogos grandes como o desta terça-feira - (crédito: Cesar Greco)

A partida desta terça-feira (6/9), no Allianz Parque, em São Paulo, tem tudo para entrar para a história, na decisão da primeira vaga finalista da Libertadores da América. Com baixas nos elencos e até no banco de reservas, Palmeiras e Athletico Paranaense decidirão o classificado para o jogo derradeiro da competição, em 29 de outubro, no Estádio Monumental de Guayaquil, no Equador.

O primeiro jogo, com vitória do Furacão, na Arena da Baixada, por 1 x 0, gerou dor de cabeça para ambas as partes: do lado athleticano, o volante Hugo Moura e o técnico Luiz Felipe Scolari foram expulsos e não integrarão a equipe rubro-negra. Léo Cittadini tende a ser o substituto em campo e o auxiliar técnico Paulo Turra deverá comandar o time à beira do gramado.

Mesmo suspenso, Felipão se sente convicto de que o corpo técnico fará bom trabalho na casa alviverde: “Achei e acho que foi um absurdo a expulsão do Hugo. Fiquei bravo e continuarei bravo a minha vida inteira por aquela situação. O juiz tem a prerrogativa de me tirar. Vou assistir pela televisão. Lá estão Paulo Turra, Carlos Pracidelli e Wesley Carvalho, que tenho certeza que vão fazer um trabalho muito melhor do que eu”, afirma.

No Alviverde, Danilo seguirá suspenso por determinação da Conmebol após suspensão nas quartas de final contra o Atlético Mineiro, por entrada no argentino Matías Zaracho. Se bem que Gustavo Scarpa, também suspenso na ida, estará à disposição de Abel Ferreira, Raphael Veiga se machucou no jogo de Curitiba e é dúvida para logo mais.

O técnico português acredita no que terá disponível, mesmo com as dificuldades em manter a forma física, sobretudo com um calendário mais apertado como em 2022: “Este ano testamos os nossos limites físicos, mas acredito que teremos o time inteiro para poder escolher aqueles que vão nos garantir o melhor desempenho para passar à final”, relatou Abel Ferreira.

Para efeitos do jogo da semana passada, não só o time paulista teve de lidar com a quebra de uma invencibilidade de mais de um ano na competição, sobretudo fora de casa, onde o alviverde não perdia desde 2019. Os reflexos também foram sentidos nos times mistos que entraram em campo pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro: o Palmeiras sofreu para conseguir um empate por 2 x 2 contra o Bragantino e só não viu a vantagem na ponta cair pois o vice-líder Flamengo também empatou que o Athletico bateu o Fluminense na Arena da Baixada por 1 x 0.

O time paranaense buscará sua segunda classificação para a final de uma Libertadores, a exemplo do que fez em 2005, quando perdeu para o São Paulo. Naquela edição, o rubro-negro eliminou outro brasileiro: o Santos, nas quartas de final. Em seguida, a vítima foi o Chivas, do México, até chegar à decisão. Já o clube paulista busca sua sétima final na história, para tentar o primeiro tricampeonato de forma consecutiva da história da competição no Século XXI, uma vez que a última sequência com mais de dois títulos foi o tetra seguido do Independiente, entre 1972 e 1975.

O passado e o presente

Alguns dos atores do jogo desta noite já entraram para a história pura do futebol, tanto para boas quanto para más lembranças do torcedor, em geral. O ano de Copa do Mundo sempre remete ao passado, às glórias e fracassos: mesmo ausente nesta noite, é impossível falar, por exemplo, de Felipão. O contraste é muito pouco ressaltado, uma vez que a memória recente dá mais tendência ao lembrar dos 7 x 1 sofridos contra a Alemanha, na Copa de 2014, do que o pentacampeonato do mundo, em 2002, conquistado por um técnico de carreira vitoriosa como Scolari, que quer fechar sua carreira da forma mais digna possível.

Presente naquela equipe do Mundial do Brasil, o volante athleticano Fernandinho pouco deixou em boas memórias para a torcida brasileira naquela tarde de julho, no Mineirão, e também em uma outra tarde do mesmo mês, quatro anos depois, na Arena Kazan. Ao desviar para trás um cruzamento belga, o jogador escolhido para substituir o suspenso Casemiro abriu caminho para mais uma dolorosa eliminação verde-amarela: Fernandinho dificilmente será mais lembrado pelo que fez ao Manchester City de Pep Guardiola do que fez pelo Brasil de Tite.

O atual técnico, inclusive, foi (e segue) frequentemente contestado por suas decisões ao escalar e convocar a equipe brasileira, sobretudo na Copa da Rússia. A ausência de alguns nomes costuma chatear o torcedor médio da seleção e, dois dos prováveis nomes que entrarão no gramado do Allianz Parque neste jogo de volta, estão entre os jogadores pedidos pelos brasileiros, mas rechaçados pelo técnico nacional.

Gustavo Scarpa e Raphael Veiga são exemplos de jogadores que não sempre foram unanimidade mas que encantaram ao encontrar a melhor forma do seu futebol. É bem verdade que, para ambos meias palmeirenses, o alto nível foi alcançado pelas mãos de Abel Ferreira, mas não pode-se esquecer as boas performances dos futebolistas quando ainda estavam no Fluminense e no Athletico Paranaense, respectivamente.

Prováveis escalações:

Palmeiras

Weverton; Marcos Rocha, Murilo, Gustavo Gómez e Piquerez; Zé Rafael, Gabriel Menino e Raphael Veiga (ou Gustavo Scarpa); Dudu, López e Rony.

Técnico: Abel Ferreira

Athletico Paranaense

Bento; Khellven, Pedro henrique, Thiago Heleno e Abner; Fernandinho, Léo Cittadini e Alex Santana; Vitinho, Vitor Roque e Cannobio

Técnico: Paulo Turra

Arbitragem: Esteban Ostojich (URU)

Horário: 21h30

Transmissão: SBT

 

 

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