Como advogada sempre preciso viajar, me deslocar, viver grande parte dos meus dias na estrada. Sem novidade!
Numa dessas últimas viagens, a caminho do Recife, uma conversa “despretenciosa” e sobre política no caminho me fez entender um pouco mais sobre a vida.
“Mas você é evangélico, precisa votar com coerência”“O vice de fulano de tal é péssimo e o mandado dele foi catastrófico”

As opiniões não paravam. Fiquei impressionada com a quantidade de informações que ouço em tão pouco tempo. Dividia minha atenção entre músicas no fone de ouvido e o debate político que havia se instaurado ali na minha frente.
Claramente um de nossos colegas expunha um posicionamento de extrema direita, enquanto uma amiga defendia sua bandeira do populismo. Existiram momentos de ânimos exaltados e eu já ensaiava o que diria quando chegasse “minha vez.”

Em meio ao barulho, fui buscando na mente o que eu sabia sobre o tema, também fui organizando bem as palavras de modo a não me envolver numa discussão acalorada…
“Me deixem fora disso”
Quando vi, já tinha saído. Uma operadora do direito sem posicionamento político ou se esquivando de um bom bate boca?

O fone de ouvido me poupou de um grande desgaste quando tocou “Alexandria” e uma conversa sobre política me ensinou que na vida se puder explicar entre ter paz e ter razão, a primeira opção é sempre a melhor escolha.

 

Raissa Cavalcante.