Bom dia a todos, desejando que estejam todos saudáveis e entrando em outubro com muita motivação! Vamos falar sobre um assunto que diz respeito a todos, não apenas mulheres, homens também, famílias… pensei se devia lançar um alerta sobre o tópico, já que tantas pessoas estão fazendo isso em outubro, mas quanto mais alertas lançarmos, melhor!

Outubro é o mês dedicado para fazer um apelo às mulheres, principalmente, para que façam seus exames de rotina, ou seja, mamografia, ecografia mamária e, também, “Papanicolau” – exames pertinentes à saúde puramente feminina, embora homens também possam ter câncer de mama. E é disso que vamos falar agora, esta doença que ceifa muitas vidas pelo mundo afora.

Faço exames rotineiros todos os anos. Em 2018, os fiz por volta de agosto ou setembro e iria fazê-los em 2019, como de costume. Como já estava perto do fim do ano, então pensei em fazê-los no começo de 2020. Qual não foi a minha surpresa, e a de todos no mundo, de ter que ficar em isolamento social por conta da pandemia. Desta forma, os exames que deveriam ter sido feitos no início de 2020, foram “empurrados” sabe-se lá para quando – isto é, fiquei esperando um momento mais seguro, o arrefecimento da pandemia.

Finalmente, em dezembro de 2021 comecei a sentir “qualquer coisa” na mama direita. A pandemia já tinha diminuído bastante e fui fazer os exames de rotina. Na clínica, a médica, na ecografia mamária, demorou-se um pouco mais numa região da mama direita e ali eu soube: havia algo errado. Procurei minha ginecologista, que viu meu exame e disse “a partir deste momento, não posso mais te atender neste caso. Deves procurar um mastologista”.

Assim o fiz. Tudo foi muito rápido, como deve ser numa situação dessas. O mastologista disse “provavelmente se trata de uma calcificação de pontos internos”, – eu havia feito uma cirurgia estética há vinte anos -, “mas vou te pedir uma ressonância magnética”. Eu estava com uma viagem marcada e disse “farei amanhã mesmo, não há tempo a perder“ e ele disse “quando voltas?”, e respondi “em um mês”. Ele disse “prefiro que faças o exame quando retornares, porque, senão, tua viagem será um inferno e, provavelmente, não é nada”.

Fui viajar relativamente tranquila; afinal, seguia a opinião de um mastologista famoso e, quando retornei, fiz a tal ressonância. Que indicou não se tratar de calcificação nenhuma e, sim, de uma anormalidade. Voltei ao mastologista e ele me disse “teremos que fazer biópsia”. Fiz. Resultado: crescimento de células em caráter maligno, estágio um. Se levei, como dizem, um soco no estômago ou um tapa na cara? São expressões para exemplificar o que sente na hora. Não, não foi nada disso. Não fiquei chocada, “nem nada”.

Se fiquei triste? Claro, mas encarei com certa tranquilidade porque se tratava de estágio um, o que faz toda a diferenca, a importância do diagnóstico precoce. Agora posso dizer que, até o dia 7 de junho deste ano, às 10 da manhã, horário de minha operação, eu tive câncer de mama. E depois deste momento, não mais. Mas não gostaria de ver ninguém mais passando por isso, em nenhum estágio. Utopia, claro, ainda muitas pessoas vão encarar todo o processo, que é demorado e dolorido, requer muita força física, mental e espiritual – e, dizem, que sou muito forte, acho que concordo. Mas se chorei em alguns momentos? Claro que sim! Muitos! Tive que parar com várias coisas na minha vida, pois quase toda a energia que tinha foi canalizada para me recuperar.

Como era em estágio inicial, fui poupada de quimioterapia e da retirada da mama. Considero que tive muita sorte. Nem todas podem dizer isso. Vi tantas mulheres fortes nos hospitais… encarando quimioterapia e estágio terminal. Algo que poderia ser evitado. Muitos de meus projetos estão esperando para serem terminados, porque a radioterapia, em conjunto com o remédio que tomarei por cinco anos, um bloqueador de hormônios, “derrubam” a pessoa – é lógico que cada pessoa é diferente uma da outra, algumas vão dizer que não sentiram nada.

Mas meu corpo está se adaptando a uma nova realidade e não sou mais a mesma pessoa de antes; imagino que seja uma pessoa diferente para melhor, que entende mais a vida e a importância do apoio que recebi de tantas pessoas da família, – e que falta sinto de minha mãe, pai e avó, mais ainda nessa hora -, e amigos preciosíssimos que se preocuparam, rezaram, mandaram mensagens e presentes e aos quais nunca poderei agradecer o suficiente, incluindo amigas que já haviam passado por isso e que me deram dicas valiosas.

Agradeço enormemente aos médicos Dr André Fay, oncologista, e Dra Bettina Vollbrecht, quem me operou, entre muitos outros, e aos médicos amigos de vários anos, Dr Ildo Meyer e Dr Milton Wainberg, que me aconselharam com muito carinho. Também às técnicas do Hospital Santa Rita de Porto Alegre, Monique e Sheila, pela paciência e o cuidado com que me atenderem.

No Brasil, exceto o câncer de pele, o de mama é o que mais acomete mulheres, com um número estimado de 66.280 casos em 2022, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Com a pandemia, muitas mulheres deixaram de fazer exames, até porque os hospitais estavam concentrando todas as suas forças no combate à Covid -19. Em 2017, 372.000 mulheres fizeram mamografias pelo SUS; já em 2020, foram 338.000, uma queda de mais de 9%.

Em 2019, 41.786 mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama, 18.068 das quais faleceram. Estes são dados do site da BBC em português. Não deixe para depois nenhum exame! Não pense que uma mãe aos 82 anos ou sua avó, aos 90, não pode ter câncer de mama. Se você é filho/a, amigo/a, sobrinho/a, leve sua mãe, tia, avó para fazer exames. Trata-se de uma doença que pode ser e é letal. Bom fim de semana todos, com saúde, fé, alegria!

Denise Sabino Villanova

Sobre a autora: Professora, Mestre em Cultura/política britânica e Cultura e Filosifa francesa pela Leibniz Universität Hannover, Alemanha e Doutoranda em Línguas Estrangeiras Modernas – Literatura Hispanoamericana (UFRGS).