O presidente Jair Bolsonaro (PL) esteve no Santuário Nacional de Aparecida, na tarde desta terça-feira (12/10), onde acompanhou uma missa em homenagem ao Dia de Nossa Senhora Aparecida. O evento realizado na cidade do interior de São Paulo é a comemoração mais tradicional da data, sendo o destino de peregrinações que saem de diversos pontos do país.

A visita do presidente ocorre um dia depois da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) condenar a ‘exploração da fé’ para fins eleitorais.

Ao lado do candidato do Republicanos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do senador eleito por SP, Marcos Pontes (PL), e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o presidente fez uma passagem discreta, sem falas ao público, e apenas acompanhou a celebração religiosa. Bolsonaro pode participar de um evento não oficial organizado por católicos ultraconservadores, onde será realizado a reza de um terço.

O evento paralelo foi criticado pela arquidiocese de Aparecida, que demostrou temer a utilização do dia da padroeira como palanque eleitoral. “Na agenda de Jair Bolsonaro consta a participação em um Terço que será rezado na cidade de Aparecida. Assim, reforçamos que esta atividade não é celebrada pelo Santuário Nacional e nem está sob a supervisão do arcebispo de Aparecida. A iniciativa é de um grupo independente, que não tem relação com o Santuário Nacional e nem com a Programação da Novena da Padroeira”, diz nota oficial de esclarecimento da arquidiocese.

A postura de Bolsonaro no evento católico destoa da participação dele na inauguração de um templo em Belo Horizonte, na manhã desta terça. Em BH, presidente fez um discurso acalorado sobre a pauta de costumes e alertou fiéis para os riscos de “outros” candidatos que, segundo ele, defendem o aborto e atacariam igrejas.

Críticas ao ódio na missa da manhã

O arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, falou da importância do voto durante a celebração no Santuário Nacional de Aparecida. “Cidadania que vamos vivendo também votando. É necessário exercer esse direito e poder do povo.”

O religioso foi mais enfático quando falou da fome, que identificou como um dragão a ser vencido, assim como o desemprego e o ódio. Dom Orlando Brandes disse ainda que está faltando pão no Brasil e o país precisa de paz e fraternidade. “Temos o dragão do ódio, que faz tanto mal, e o da mentira. E a mentira não é de Deus, é do maligno”, afirmou Dom Orlando. Durante a pregação de Dom Orlando, quando ele falou no combate à fome, uma parte do público que acompanhava do lado de fora da basílica, composta por apoiadores do presidente Bolsonaro, vaiou o arcebispo.

Durante entrevista coletiva, quando questionado sobre a presença do presidente o religioso afirmou que “não podemos julgar, mas precisamos ter uma identidade religiosa. Ou somos evangélicos ou somos católicos. Precisamos ser fiéis à nossa identidade católica, mas seja qual for a intenção vai ser bem recebido, porque é o nosso presidente”.

 

Correio Braziliense