Segundo indígenas, mortes de Bruno e Dom seriam represália pelo prejuízo causado em atividades de caça e pesca ilegais - Nelson Almeida/AFP

Apontado como mandante dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, Ruben Dario da Silva Villar, conhecido como Colômbia, deixou a prisão na última sexta-feira (21). Depois de pagar uma fiança de R$15 mil, ele passou para prisão domiciliar em Manaus (AM), com uso de tornozeleira eletrônica. Proibido de viajar para fora do país, ele teve seu passaporte retido pela Polícia Federal (PF).

Apesar de ser investigado como possível mandante do assassinato, a tiros, de Bruno e Dom, durante uma emboscada em 5 de junho, Colômbia estava encarcerado desde 8 de julho por conta de outro mandado de prisão.

Este, por associação criminosa ligada a crimes ambientais. Ele é suspeito, também, de chefiar uma quadrilha de pesca ilegal na reserva indígena do Vale do Javari. Uma das linhas investigativas da PF é de que este comércio seria usado para lavar dinheiro do narcotráfico na tríplice fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru.

No começo de setembro, o Brasil de Fato percorreu o rio Javari e constatou que a embarcação, de propriedade de Colômbia, que compra peixe extraído ilegalmente da Terra Indígena, estava funcionando normalmente.

A defesa de Colômbia nega a sua participação no duplo homicídio. Os membros da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que trabalhavam diretamente com Bruno Pereira, no entanto, dão como certo que ele tenha sido o mandante. O que Colômbia confirmou às autoridades é que mantém relações comerciais com os outros três homens investigados no caso.

Amarildo da Costa Oliveira, chamado de Pelado; seu irmão Oseney da Costa Oliveira, apelidado de Dos Santos; e Jefferson da Silva Lima, conhecido como Pelado da Dinha, permanecem presos. Amarildo e Jefferson confessaram participação direta nos assassinatos.

Brasil de Fato