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A cobrança dos usuários que têm conta verificada no Twitter – um dos planos do novo dono da empresa, o bilionário Elon Musk – poderá começar já na próxima semana. O selo azul de verificação seria vendido dentro de um pacote mensal de assinatura de US$ 8 e poderia ser lançado já na próxima segunda-feira, segundo fontes a par das mudanças.

A cobrança faz parte dos planos de Musk para reduzir o número de contas falsas e, ao mesmo tempo, ampliar as receitas do Twitter.

Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, os usuários que hoje já têm o selo de verificação nas suas contas teriam um mês de uso gratuito. Depois deste prazo, eles teriam que aderir à assinatura ou perderiam esta chancela.

O Twitter também planeja ampliar o acesso à função de editar tuítes. Hoje, esta opção só está disponível para os usuários do grupo Twitter Blue, que pagam US$ 4,99 por mês. A ideia é liberar o botão de editar para todos os usuários de graça. Esta mudança poderia entrar em vigor já esta semana.

A cobrança por conta verificada não seria aplicada a perfis de governo. Também não será colocada em prática em mercados nos quais o Twitter não consegue fazer cobranças de pagamento, segundo as fontes que acompanham as mudanças.

O Twitter sempre usou os selos de verificação para identificar usuários cujo perfil tem risco maior de serem alvo de falsificação, como pessoas públicas, políticos, ativistas e jornalistas. E nunca cobrou por isso. Musk costuma chamar a prática adotada atualmente de um sistema de “senhores e camponeses”, como um modelo de castas.

Ele defende que quem pague tenha acesso a outras vantagens, como “até metade dos anúncios” e “prioridade nas respostas, menções e buscas”.

Em outra frente, as mudanças no Twitter seguem levantando desconfianças no mercado anunciante.

O publicitário Martin Sorrell, fundador da WPP e hoje à frente da S4 Capital, afirmou nesta quinta-feira que, após a venda do Twitter para Elon Musk, os anunciantes estão adotando uma postura de “esperar e ver”. Ou seja, aguardar as mudanças na plataforma antes de tomar decisões sobre a compra de novos anúncios.

Segundo Sorrell, que é considerado um guru dos publicitários, não está claro como Musk vai lidar com a questão da moderação de conteúdo na plataforma.

– Os clientes (anunciantes) não querem conflito, não querem controvérsia. Querem um ambiente estável, e o que vimos até agora (das declarações de Musk) é muito inconsistente – disse Sorrell, defendendo que o Twitter crie uma política de moderação.

Outra gigante do mercado de propaganda, a Interpublic Group, aconselhou seus clientes a interromperem temporariamente os anúncios no Twitter, segundo reportagem da Variety.

Ao participar da Web Summit, conferência de tecnologia em Lisboa, Sorrell destacou, porém, que o Twitter responde por só 1% dos anúncios em mídia digital globais.

As quatro plataformas mais importantes neste mercado são as americanas Alphabet (Google e Youtube), Meta (Facebook e Instragram), Amazon e a chinesa TikTok, da gigante Bytedance.

 

O Globo