Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação de 0,62% em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Em setembro, a taxa havia sido negativa em 1,22%.

A queda foi menor do que a esperada segundo a mediana das estimativas de 16 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de 0,73%, com intervalo das projeções entre baixa de 0,87% e recuo de 0,05%.

Com o resultado, o índice acumula alta de 4,89% no ano e 5,59% em 12 meses. Em outubro de 2021, o índice havia subido 1,60% e acumulava elevação de 20,95% em 12 meses.

“Inúmeras commodities de peso estão registrando queda em seus preços. Minério de ferro (de -3,27% para -5,01%), leite in natura (de -6,92% para -8,17%), adubos ou fertilizantes (de -2,23% para -9,98%) e café (de -0,58% para -10,37%) são alguns dos principais exemplos. Já no âmbito do consumidor, a inflação acelera à medida que os preços dos combustíveis passam a mostrar queda menos intensa. Os preços da gasolina (de -8,68% para -1,44%), por exemplo, caíram menos nesta edição do IGP-DI”, afirma André Braz, coordenador dos índices de preços do FGV Ibre, em comentário no relatório.

Com peso de 60%, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI) diminuiu 1,04% em outubro. No mês anterior, o índice tinha recuado 1,68%. Na análise por estágios de processamento, a taxa do grupo Bens Finais saiu de baixa de 0,41% em setembro para avanço de 0,25% em outubro. O principal responsável esse avanço foram os combustíveis para o consumo, cuja taxa passou de decréscimo de 8,46% para redução de 1,06%.

A taxa do grupo Bens Intermediários foi de baixa de 2,46% em setembro para declínio de 0,53% em outubro. O principal responsável por este avanço foi o subgrupo materiais e componentes para a manufatura (-1,72% para 0,50%).

O estágio das Matérias-Primas Brutas intensificou a queda em sua taxa de variação, indo de decréscimo de 1,95% em setembro para baixa de 2,79% no mês seguinte. Contribuíram para esse movimento café em grão (-0,58% para -10,37%), minério de ferro (-3,27% para -5,01%) e algodão em caroço (-1,57% para -12,25%).

Com peso de 30%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) subiu 0,69% em outubro, após acréscimo de 0,02% em setembro. Das oito classes de despesa componentes do índice, Transportes registraram queda menos intensa ente um mês e outro (-2,63% para -0,19%) enquanto Alimentação mudou de direção (-0,29% para 0,74%). Subiram mais Habitação (0,40% para 0,58%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,59% para 0,85%), Vestuário (0,38% para 0,73%) e Despesas Diversas (0,04% para 0,19%).

Nessas classes de despesa, destaque para os itens: gasolina (-8,68% para -1,44%), laticínios (-4,86% para -1,49%), taxa de água e esgoto residencial (0,21% para 3,35%), artigos de higiene e cuidado pessoal (0,49% para 1,62%), roupas (0,24% para 0,92%) e alimentos para animais domésticos (-0,07% para 1,25%).

Em contrapartida, Educação, Leitura e Recreação diminuíram o ritmo de alta (4,36% para 3,07%) e Comunicação aprofundou a queda (-0,52% para -0,73%). Essas classes de despesa foram influenciadas, respectivamente, pelos itens passagem aérea (23,75% para 14,06%) e combo de telefonia, internet e TV por assinatura (-1,16% para -1,86%).

O núcleo do IPC registrou taxa de 0,30% no período do IGP-DI de outubro, ante 0,18% no mês anterior. Dos 85 itens componentes do IPC, 36 foram excluídos do cálculo do núcleo. Destes, 14 apresentaram taxas abaixo de -0,26%, linha de corte inferior, e 22 registraram variações acima de 0,71%, linha de corte superior. O índice de difusão, que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva, ficou em 62,58%, 3,87 pontos percentuais acima do registrado em setembro, quando o índice foi de 58,71%.

Por fim, com os 10% restantes, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) subiu 0,12% em outubro, ante 0,09% um mês antes. Os três grupos componentes do INCC registraram as seguintes variações na passagem de setembro para outubro: Materiais e Equipamentos (-0,31% para -0,09%), Serviços (0,34% para 0,36%) e Mão de Obra (0,39% para 0,27%).

Valor Econômico