O anúncio foi feito durante um encontro entre os dois líderes realizado no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, nesta 2ª feira (26.jul.2021). As informações são da CNN americana.

As tropas dos Estados Unidos, que atualmente são compostas por 2.500 soldados, chegaram ao Iraque em 2003 e, desde 2014, estão no país para auxiliar o exército iraquiano nas ações contra o Estado Islâmico.

O acordo oficializado entre os líderes estabelece que as forças não irão mais atuar diretamente nas lutas contra o grupo terrorista, mas não prevê o retorno dos militares norte-americanos aos EUA como foi feito no Afeganistão.

Com isso, o impacto da medida será mais simbólico do que prático e os EUA deve passar a ter uma função mais consultiva. Segundo Biden, o papel do país no Iraque será “ficar disponível para continuar a treinar, assistir, ajudar e lidar com o Estado Islâmico se ele se insurgir, mas não estaremos, até o fim do ano, em missão de combate”.

O presidente americano ainda afirmou que os Estados Unidos apoia o fortalecimento da democracia iraquiana e garantiu o apoio na segurança e na luta contra o grupo terrorista e milícias ligadas ao Irã. “Isso é crucial para a estabilidade regional, e nossa cooperação contra o terrorismo continuará, mesmo nessa nova fase”, disse. Uma das missões dos militares americanos, por exemplo, será a de proteger a embaixada em Bagdá.

Diferente do que aconteceu no Afeganistão, o fim da missão de combate no país do Oriente Médio veio a pedido do próprio governo do Iraque por causa da pressão de políticos iraquianos, alinhados a Teerã, que não querem a presença de militares americanos dentro do país.

Em janeiro de 2020, o Parlamento iraquiano aprovou um resolução que pedia ao governo local o fim das atividades estrangeiras. O objetivo era fazer com que, na época, os Estados Unidos retirassem cerca de 5.000 soldados americanos presentes na região.

A população do Iraque também vem se manifestando contra a presença de tropas estrangeiras no região. Portanto, com a decisão, é possível que al-Kadhimi ganhe vantagem na opinião pública, algo que pode influenciar nas eleições parlamentares previstas para outubro.

O fim das ações de combate também significam uma mudança no foco da política externa de Biden. Segundo a CNN, o presidente dos EUA quer se concentrar nas intimidações da China, considerada uma nação competidora por Biden, e da Rússia, vista como uma adversária e como uma ameaça para a segurança da Europa.

O líder americano também defende que o país deve se preocupar com as “guerras dos próximos anos” e não de 20 anos atrás, referindo-se a presença em peso dos Estados Unidos no Oriente Médio durante os governos dos ex-presidentes George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump.

Tropas americanas no Iraque

Há 18 anos, as forças de combate dos Estados Unidos estão no Iraque. Elas chegaram ao país pela primeira vez em 2003 com a justificativa de que o governo, liderado por Saddam Hussein, havia desenvolvido armas de destruição em massa. No entanto, os equipamentos nunca foram encontrados.

No mesmo ano, Hussein foi derrubado e o país entrou em uma violenta guerra civil que resultou em impactos sentidos até hoje no Iraque. O presidente americano da época era o republicano, George W. Bush.

Em 2011, Barack Obama anunciou a retirada das tropas, deixando apenas alguns militares para treinamento e apoio, mas, em 2014, o ex-presidente ordenou o retorno por causa do avanço do Estado Islâmico na região.

Na época, Biden foi o grande responsável pela diplomacia com o país. O então vice-presidente viajou a diversos pontos do Iraque e seu filho, Beau, chegou a servir como reservista antes de morrer em 2015 por causa de um câncer no cérebro.

Atualmente, as milícias do grupo extremista tem menos poder e é caracterizada por alguns focos de resistência. Por isso, o governo do Iraque afirma ser capaz de conter sozinho o grupo. No entanto, al-Kadhimi diz que o apoio de inteligência e de treinamento dos Estados Unidos ainda será necessário.