Será que ainda tem jeito?

Há quase dois anos, fomos obrigados a “editar” nossas vidas de uma maneira que só víamos falar através de filmes de ficção científica ou nos livros de história. Além da Covid-19, passamos a conviver com outra pandemia: a do medo. Inicio este texto falando sobre algo não tão agradável, mas que serve como contextualização para que nos atentemos a outros detalhes que ficaram mais aparentes depois que começamos a ver pessoas partindo em números assustadores, preços aumentando em questão de dias, salários congelados e demais tragédias consequentes desse processo.

Esses dias ouvi, em uma escola próxima da minha casa, a chegada de uma pessoa vestida de Papai Noel. E tamanha foi a alegria das crianças com aquele momento. Ouvi risos, gritinhos de satisfação e muita felicidade. E fiquei imaginando o quanto a simplicidade possui uma beleza indescritível. Fiquei imaginando que, em meio a todo o caos que vemos diariamente, em algum lugar do mundo existem muitas pessoas sorrindo, brincando, levando alegria, ajudando e compartilhando afeto. Quando abrimos a boca para falar que “o mundo está perdido”, não imaginamos que o planeta é imenso e que em diversas partes dele a alegria existe, basta saber enxergá-la.

Ciclos se encerram para outros começarem. Morreram milhares de pessoas desde a chegada da pandemia, mas milhares estão nascendo. Muitas empresas fecharam, mas a criatividade veio à tona e muitos trabalhadores deram início ao próprio negócio. Gestos simples de afeto, como o abraço, passaram a ser mais valorizados, afinal, de uma hora para outra, nem isso pode ser feito. Aqueles risos de alegria daquelas crianças me fizeram acreditar que, mesmo diante de toda a maldade, ainda possamos acreditar na alegria do simples, que a vida continua acontecendo da mesma forma, que sonhos continuam se realizando, que existem talentos na música, na escrita, na oratória, no esporte, na arte. Lembremo-nos que a escuridão não existe, o que prevalece é a falta de luz.

O medo é um sentimento natural, o problema é quando ele toma conta da nossa rotina, fazendo com que queiramos perder a fé em dias melhores. Que tenhamos a sensibilidade de olhar ao nosso redor e perceber o que de bom existe, pois eu aposto que sentir o sabor e o cheiro da comida são sensações tão boas que seria terrível viver sem elas. Cito estes dois exemplos para que entendamos que a riqueza maior está no menor visto com grandeza.

Que 2022 seja um ano de muitos risos de alegria, de companheirismo e de humildade pela vida. Se for utopia, que seja. O que não podemos enxergar é só o lado ruim das coisas.

 

 

*Maria Daniele de Souza Lima. Professora de Língua portuguesa e estudante de Jornalismo Digital. Paraibana e apaixonada pela comunicação.

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