A crise aberta no comando da Petrobras tem mobilizado não apenas o governo, mas também movimentado outras figuras políticas. O episódio da troca na presidência da estatal, após a demissão do general Joaquim Silva e Luna e a desistência do economista Adriano Pires de assumir o cargo, despertou opiniões dos comandantes do Congresso sobre a situação da petroleira. Arthur Lira (PP-AL) defende a privatização da empresa, alinhado a um pensamento do presidente Jair Bolsonaro, que por diversas vezes apontou a passagem para a iniciativa privada como a solução para estatal. Já Rodrigo Pacheco (PSD-MG) reagiu a declaração do colega, dizendo que a Petrobras é um patrimônio nacional.

“A quem serve a Petrobras? Não dá satisfação a ninguém, não produz riqueza, não produz desenvolvimento”, argumentou Lira, quando questionado por jornalistas na terça-feira sobre o imbróglio no comando da petroleira. “É uma empresa estatal. Se ela não tem nenhum benefício para o estado nem para o povo brasileiro, que vive reclamando todo dia dos preços dos combustíveis, que seja privatizada e que a gente trate isso com a seriedade necessária”, disse o presidente da Câmara. A indicação de Adriano Pires para a cadeira da petroleira foi feita pela ala política do governo e, segundo interlocutores, com influência do Centrão, grupo que Lira é um dos principais representantes.

Após as falas do colega, jornalistas questionaram o presidente do Senado sobre a privatização da Petrobras. “A tese de privatização, de modo geral, para poder tornar o estado mais ágil e mais eficiente é sempre uma ideia boa e que deve ser considerada, mas não é, a princípio, o caso da Petrobras”, disse Pacheco. “Neste momento, eu não considero que esteja na mesa uma privatização da Petrobras nem de Banco do Brasil, nem de Caixa Econômica, que são instituições que, no final das contas, são um patrimônio nacional, e, se bem gerido, gera frutos para a sociedade brasileira”, completou.

Não é a primeira vez que os líderes da Câmara e do Senado discordam. No ano passado, os presidentes das casas mostraram opiniões bem diferentes em projetos da pauta econômica do governo. A reforma do Imposto de Renda, que atualizaria o valor da tabela para pessoa física e traria de volta os impostos sobre juros e dividendos, foi aprovada na Câmara e está até hoje encostada no Senado, tendo causado mal estar entre os dois.

 

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