Desde a semana passada, a frente fria que chegou ao país nessa semana trouxe temperaturas extremas para a região Centro-Sul no nosso país. O frio intenso causou sensações térmicas abaixo de zero em diversos locais do Brasil durante a madrugada de terça-feira para quarta (18).

Temperaturas abaixo de zero foram registradas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde a meteorologia calculou sensação térmica de -20ºC.

Neve foi registrada na Serra Gaúcha e nas cidades de São Joaquim e Uribici em SC. O mesmo fenômeno havia sido registrado na madrugada de segunda-feira para terça.

Fortes ventos

tempestade extratropical Yakecán tem causado fortes ventos e a intensificação do frio oriundo de massas de ar polar da Antártica. Ventos cima dos 150 km/h foram registrados em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.

Os fortes ventos relacionados ao ciclone extratropical causaram diversos prejuízos, como o destelhamento de um telhado em Tramandaí, na região metropolitana de Porto Alegre. Em Santa Catarina, um caminhão tombou por conta das fortes rajadas na cidade de Bom Jesus da Serra. Ninguém se feriu com o ocorrido.

Veja vídeos da Yakecán:

Morte por frio

Em São Paulo, uma pessoa em situação de rua acabou falecendo por “morte súbita” de acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O homem aguardava para comer em um sítio para assistência de pessoas em vulnerabilidade, que sequer abriu durante uma das madrugadas mais frias em décadas, depois de dormir na rua.

Sul tem sensação de -20º C e SP de -4º C; Brasil registra neve e caminhão que virou por causa do vento de 157 km/h

© Fotos: Foto 1: Dionata Costa/Arquivo pessoal  Foto 2: Polícia Militar Rodoviária de Santa Catarina Fotos 3 e 4: Reprodução/TV GloboSul tem sensação de -20º C e SP de -4º C; Brasil registra neve e caminhão que virou por causa do vento de 157 km/h

“A Polícia Civil investiga a morte de um homem, de 66 anos, que teve um mal súbito, na Mooca, Zona Leste da Capital. O caso foi registrado como morte suspeita pelo 8º Distrito Policial. Foi solicitado exame necroscópico à vítima para esclarecer todas as circunstâncias relacionadas ao fato”, disse a SSP em nota.

De acordo com testemunhas, Isaías de Faria, de 66 anos, morreu após sofrer uma convulsão na fila do café da manhã depois de dormir no frio.

“A gerência do equipamento acionou o Consultório na Rua e o SAMU. Os profissionais de saúde tentaram reanimar Isaías, mas sem sucesso. Essa foi a segunda vez que Isaías esteve no serviço, e não há registro de passagem dele pela rede de acolhimento socioassistencial”, disse a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) em nota.

Um colega de Isaías relatou ao G1 que é quase impossível conquistar um lugar nos dormitórios da cidade. “Para conseguir vaga em albergue, precisa ligar no 156 e geralmente a gente não tem telefone. A espera é de 3 horas. Enquanto isso, a gente fica no frio. A rua é difícil”, disse.

padre Júlio Lancellotti, conhecido por sua atuação junto à população de rua, atendeu um homem com sinais de hipotermia durante essa madrugada.

Sul tem sensação de -20º C e SP de -4º C; Brasil registra neve e caminhão que virou por causa do vento de 157 km/h

© Fotos: Foto 1: Dionata Costa/Arquivo pessoal  Foto 2: Polícia Militar Rodoviária de Santa Catarina Fotos 3 e 4: Reprodução/TV GloboSul tem sensação de -20º C e SP de -4º C; Brasil registra neve e caminhão que virou por causa do vento de 157 km/h

“Ele dormiu na rua. Deve ter ingerido álcool, que é o quadro de sempre. Ingere álcool, aquece, o álcool é volátil, metaboliza e começa a congelar. Ele tá com todo quadro de enrijecimento, com todo esse aquecimento vai voltando a pressão, mas é o quadro típico da hipotermia”, contou o pároco à TV Globo.

Existem apenas 16 mil vagas para pessoas em situação de rua dormirem em São Paulo, mas, segundo informações recentes, há pelo menos 32 mil pessoas morando nas ruas da cidade. Nessa madrugada de frio, milhares de moradores da capital dormindo ao relento.

A temperatura de 6,6º C registrada no Mirante de Santana é a mais baixa da capital paulista no mês de maio desde o ano de 1990.

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