Uma criança de sete anos está internada no Hospital Universitário de João Pessoa (HU Lauro Wanderley) com suspeita de “hepatite misteriosa”. A doença que causa problemas no fígado tem sido tratada dessa forma porque não corresponde a nenhum dos tipos já conhecidos.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) disse nesta segunda-feira (23) que os testes feitos na criança apresentaram resultado negativo para todos os agentes causadores das hepatites virais A, B, C, D e E. A SES adiantou ainda que a criança está bem e estável.

Em todo o Brasil, há 47 casos suspeitos da “hepatite misteriosa” em crianças, mas nenhum confirmado até esta segunda-feira (23). Pelo menos 20 países confirmaram a doença, que atinge pessoas entre um mês de vida e 16 anos de idade. Em cerca de 10% dos casos foi preciso fazer transplante de fígado.

A SES divulgou um alerta para todos os Municípios da Paraíba registrarem notificações, se for necessário.

Brasil

Os casos suspeitos no Brasil foram reportados nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo.

Uma sala de situação foi aberta pelo Ministério da Saúde no dia 13 de maio, para funcionar todos os dias da semana e com a participação de técnicos da Pasta, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e de especialistas convidados.

Além de monitoramento, a sala vai padronizar informações e orientar os fluxos de notificação e investigação dos casos para todas as secretarias estaduais e municipais de saúde, bem como para os laboratórios centrais e de referência de saúde pública.

“O objetivo também é contribuir para o esforço internacional na busca de identificação do agente etiológico responsável pela ocorrência da hepatite aguda de causa ainda desconhecida”, informou o ministério.

O que se sabe

Segundo a OMS, mais de 200 casos haviam sido reportados no mundo, a maioria (163) no Reino Unido. Houve relatos também na Espanha, em Israel, nos Estados Unidos, na Dinamarca, na Irlanda, na Holanda, na Itália, na Noruega, na França, na Romênia, na Bélgica e na Argentina. Até o momento, foi relatada a morte de um paciente.

Em comunicado divulgado no dia 23 de abril, a OMS disse que não há relação entre a doença e as vacinas utilizadas contra a Covid-19.

“As hipóteses relacionadas aos efeitos colaterais das vacinas contra a Covid-19 não têm sustentação pois a grande maioria das crianças afetadas não recebeu a vacinação contra a Covid-19”.

Em nota divulgada no início de abril, a Agência Nacional de Saúde do Reino Unido, país com maior número de casos relatados, também informou que não há evidências de qualquer ligação da doença com a vacina contra o coronavírus. “A maioria das crianças afetadas tem menos de cinco anos, jovens demais para receber a vacina”.

 

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