O programa nuclear do Irã está “galopando” e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem visibilidade muito limitada sobre o que está acontecendo, disse o chefe da AIEA, Rafael Grossi, ao jornal espanhol El País em entrevista publicada nesta sexta-feira (22).

Em junho, o Irã começou a remover basicamente todos os equipamentos de monitoramento da agência instalados sob seu acordo nuclear de 2015 com as potências mundiais.

Grossi disse na época que poderia ser um “golpe fatal” nas chances de retomar o acordo após a saída dos Estados Unidos do pacto em 2018.

“O resultado é que por quase cinco semanas tive uma visibilidade muito limitada, com um programa nuclear que está galopando e, portanto, se houver um acordo, será muito difícil para mim reconstruir o quebra-cabeça de todo o período de cegueira forçada”, afirmou ele ao El País.

Grossi tinha dito em junho que havia uma janela de apenas três a quatro semanas para restaurar pelo menos parte do monitoramento que estava sendo descartado antes que a AIEA perdesse a capacidade de reunir as atividades nucleares mais importantes do Irã.

Desde que o então presidente dos EUA, Donald Trump, retirou Washington do acordo e reimpôs sanções contra Teerã em 2018, o Irã violou muitos dos limites do acordo sobre suas atividades nucleares, e está enriquecendo urânio para perto do grau necessário para ser usado em armamentos.

Potências ocidentais alertam que o país está cada vez mais perto de conseguir fazer uma bomba nuclear. O Irã nega querer isso.

“Não é impossível (reconstruir o quebra-cabeça), mas vai exigir uma tarefa muito complexa e talvez alguns acordos específicos”, disse Grossi, que visitava Madri, em entrevista ao El País.

CNN