Cientistas da Universidade de Burgos, na Espanha, desenvolveram um aplicativo de celular que detecta a quantidade de nitrato em carnes a partir imagens capturadas pela câmera do dispositivo. A substância é usada para conservar os alimentos, e é considerada cancerígena. Quanto mais alta a quantidade de nitrato na comida, mais escura fica a imagem. O estudo que explica o sistema detalhado criado pelos especialistas foi publicado na revista da Sociedade Americana de Química.

“Existe uma necessidade de detectarmos e controlarmos os diferentes componentes químicos adicionados aos alimentos processados, como carnes”, afirmam os pesquisadores. “Nosso método representa um avanço em termos de tempo de análise, simplicidade e instruções que pode ser usado por cidadãos comuns”, acrescentaram.

 

O aplicativo Polysen, que recebe o nome por ser uma abreviação de “sensor de polímeros”, foi desenvolvido a partir de discos impressos que serviram para dar base a uma referência de coloração. As cartelas continham reagentes químicos que foram expostos a carnes com diferentes concentrações de nitrato. Depois de 15 minutos de contato, quanto maior a presença da substância nos alimentos, mais próxima ao marrom ficou a coloração.

Os pesquisadores descobriram que os resultados obtidos pelo aplicativo foram muito próximos aos encontrados no laboratório experimental. “O estudo prova um conceito que já foi demonstrado metodologicamente, é prático e funciona”, concluíram os cientistas.

O nitrato dá a cor rosada a alimentos como bacon, salsicha, presunto e mortadela e os conserva com aspecto e gosto frescos. A substância tem como objetivo prolongar o tempo que os alimentos podem ficar nas prateleiras de mercados e eliminar bactérias causadoras de doenças como salmonela, botulismo e listeriose. Além disso, o nitrato acrescenta sabor a essas comidas, deixando-as ainda mais saborosas ao paladar.

Apesar de ser um elemento estável, o nitrato pode formar nitrosamina, componente relacionado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Por esse motivo, alguns países já têm procurado reduzir o uso do conservante, mas ainda encontram dificuldade para determinar a quantidade da substância presente nas carnes consumidas.

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