Era por volta das 04:30 da madrugada do dia 25 de Outubro de 2014, fazia algo em torno de 4º C-. O Voo CA908 da Air China acabava de pousar no aeroporto internacional de Pequim. As luzes da cidade que via da janela do avião me mostrava um lugar muito diferente, imenso e que aumentava ainda mais as minhas expectativas com relação sobre o que era a tão sonhada China.

Descemos na pista de pouso, nunca havia sentido tanto frio na minha vida, pra muitos era algo normal, pra mim um absurdo. Pensei que iria ficar congelado em segundos e corri para o ônibus que aguardava e levaria os passageiros para o local de desembarque.

Antes do pouso na capital da China, vivi bons momentos ao lado de uma passageira chinesa que tem uma loja na 25 de Março em São Paulo e que estava indo a sua terra natal passar alguns dias com a família. Seu marido havia ficado no Brasil para dar conta do negocio e cuidar das crianças. Fiz amizade com a senhorita, mas nem se quer perguntei o nome dela, porém, posso alegar que foi uma amizade incrível, cheia de conversas interessantes, ela ainda tentou me ensinar palavras do seu idioma e quase dava certo. Às 26 horas de vôo passou um pouco mais rápido, ela cuidou bem da minha alimentação, pois sabia que na hora de escolher o que comer poderia achar muito estranho o paladar chinês.

No aeroporto de Pequim, veio muita ansiedade, nem acreditava que já concluía aquele vôo e que estava do outro lado do mundo. Já não era mais pra minha realidade, pensar que o mundo é uma bola e que ali todos deviam andar de cabeça pra baixo, era apenas uma loucura de criança. Mas já estava ali e faltava pouco para entra oficialmente na China.

Após passar pelo setor de imigração e pegar minha bagagem corri para a saída do aeroporto. Meu vôo que havia chegado com uma hora de antecedência, me fez esperar um bom tempo até encontrar com o colega Antônio Chia, apresentador do Encontro com os Ouvintes, do departamento de língua portuguesa da CRI. Parecia ate que éramos velhos amigos, o reconhecimento foi imediato por ambas a partes.

Antônio já havia percebido que eu estava muito cansado mas que mesmo assim a minha satisfacão era imensa em poder estar realizando o meu grande sonho de conhecer a China.

Fomos de carro até o hotel onde fiquei hospedado, um cinco estrelas, não muito distante dos locais que iria conhecer e da rádio, em uma zona muito tranqüila de Pequim em uma grande avenida de duas vias.

Nunca havia estado em um hotel com tanto luxo, confesso que fiquei meio perdido ao chegar, mas a adaptação ao local foi rápida, consegui em pouco tempo conhecer todo o quarto e suas delicadezas.

A primeira refeição

No primeiro dia no período da tarde fomos almoçar em um restaurante, ali próximo ao hotel, acompanhado de colegas que acabará de conhecer, fui logo me enturmando com todos. O fato de ser brasileiro já me deixa mais a vontade pra se fazer de casa, sabem o jeito que temos de nos apresentar em qualquer ambiente.

Não consegui no mesmo dia comer com pauzinhos, uma tradição na Ásia que mesmo difícil para um brasileiro se torna fácil ao passar dos dias com algumas tentativas sem jeito. Mas consegui aos poucos me adaptar, confesso hoje, sentir saudades de usar os pauzinhos pra comer.

A comida era no primeiro momento muito estranha, porém, aquele sabor exótico logo me conquistou e dominou meu paladar. A comida chinesa além de ser muito saudável, tem um tempero diferente o que a torna especial e inesquecível.

Nesse almoço foi um momento de ambientação e de conhecermos todos que estavam presentes ali. Esse lance de ser brasileiro chama a atenção em qualquer lugar. Todos ficam entusiasmados querendo saber detalhes sobre o nosso país.

Ricardo um colega Argentino foi um dos primeiros que mantive contato, Ricardito, como o chamei em alguns momentos sabia o “portanhol” uma mistura d português e espanhol. Muitos nos olhavam e ficavam sem entender como conseguíamos tão facilmente mantermos o dialogo.

Ricardo e mais outros seis colegas foram os meus parceiros dessa semana inesquecível em Pequim com muita coisa para conhecer e viver.

Chegando a Praça da Paz Celestial

Começamos nossa visita a China, saindo do restaurante, com destino a praça Mao Tsé-Tung, ou praça da Paz Celestial, um local histórico e que marca fortemente a vida e cultura dos chineses.

A praça da paz celestial foi ampliada em 1949 e ficou muito famosa no exterior após os protestos de 1989 realizado no local por estudantes chineses. Nela estão acessos a diversas edificações importantes para o povo chinês como o monumento das pessoas heróis, o mausoléu de Mao Zedong e a cidade proibida.

Na praça existem grandes telões onde passam propagandas sobre as ações do governo chinês no país e o seu desenvolvimento econômico. Com suas grandes fabricas e empresas.  Na mídia do governo a China é um mundo de paz, ordem e prosperidade.

Chegar nesta praça foi para mim a certeza que estava na China, pois é um momento delicado e emocionante para qualquer um, seja ele quem for não são todos os dias que você tem a oportunidade de conhecer a China de uma forma tão especial como convidado de honra.

Ali ao redor da praça ficam localizados importantes prédios do governo Chinês, homenagem aos heróis, o mausoléu de Mao Zedong e mais adiante a entrada para a tão famosa cidade proibida.

Durante as duas décadas seguintes foram feitas várias propostas de arrasar ou reconstruir a Cidade Proibida para criar um parque público, uma interface de transportes ou “lugares de entretenimento”.

Fiquei encantado com a beleza e o tamanho do palácio e dos arredores. Muito maior do que vemos nas fotos ou do que imaginamos quando ouvimos comentários sobre o local. É até então o maior local que já tenha visitado. Mais do que um sonho realizado é a certeza que as edificações chinesas são a maior prova de sua capacidade e do seu poder.

Diante das paredes, muros e jardins da imensa cidade proibida, refletimos sobre as muitas histórias reais que já aconteceram por aqui. Muitas guerras travadas, ocupações mudanças de imperadores. É uma verdadeira porta de entrada para a história e cultura do povo chinês.

Uma guia de turismo foi todo o trajeto da cidade proibida, dando orientações sobre o lugar, contanto as histórias, informando sobre os fatos e os mínimos detalhes do que se passou ali por mais de duas dinastias.

A cidade proibida foi construída entre 1406 e 1420 e foi por duas dinastias o símbolo máximo do poder e palco de grandes decisões chinesas sobre a sua posição diante dos seus interesses até a expulsão do ultimo imperador por volta de 1912 sendo aberto como Museu por volta de 1925. Em 1931 o palácio sofreu a ofensiva japonesa e muitas coisas se perderam, colocando o palácio em risco. Com o fim da segunda guerra mundial, foi iniciado um grande trabalho de recuperação do lugar que dura até os dias atuais.

É um lugar fascinante e certamente se torna inesquecível para qualquer um. Lugar que preserva a milenar cultura dos chineses e que mantém um elo do passado com o presente de uma forma simples e direta.

Passei por muitos edifícios e pavimentos, ao total são mais de 900 e uma tarde não seriam suficiente para conhecer todos e saber sobre o que se passava ou para que servisse cada um.

O movimento de turistas era intenso, na tarde em que passei por lá, havia um grande fluxo de pessoas seguindo por todo o palácio com ar de curiosidade.

Voltamos ao ônibus fomos jantar em um restaurante com tema típico e tradicional do interior da China, local agradável com comida bem agradável ao meu paladar. Pude experimentar algumas das melhores receitas em um rico banquete em caráter familiar.

Neste jantar conversei bastante com o Antônio que em todo o tempo estava pronto para responder meus questionamentos e até mesmo a me ensinar comer com pauzinhos, eu percebi que ele estava achando a situação engraçada, mas talvez tivesse medo de cair no riso para que eu não achasse que fosse deselegante ou talvez se aborrecesse com a minha falta de jeito com as tradições.

Besil, é assim que se pronuncia Brasil em Chinas, aquilo pra mim foi fantástico, os chineses ficam sempre entusiasmados quando se fala no meu país, lembram-se logo do samba, futebol do carnaval. Eles também conhecem muito bem que são Lula, Kaká e Pelé.

 

 

Leonaldo Ferreira da Silva (Léo Ferreira)

*Estudante de Jornalismo na Faculdade Católica Paulista

**Amante das comunicações e em especial do rádio é editor, colaborador e WebMaster do Portal Nordeste1