O ano de 2022 realmente não está sendo apenas mais um ano na contagem do tempo, mas o ano onde tudo o que há de mais incomum resolveu acontecer. E não seria diferente na política brasileira.
Que período eleitoral é uma época que deixa a sociedade “inflamada”, isso não podemos negar. Porém, quando atinge setores da sociedade que precisam de uma noção maior de comportamento ético e imparcial, as coisas começam a ficar distorcidas. Foi o que vimos nos últimos dias: nem o Santuário de Nossa Senhora Aparecida escapou!
Religião não se discute, mas muitos se acham no direito de literalmente discutir diante de um templo sagrado, único e exclusivamente por causa de política, como é no “evento” espalhafatoso que fizeram no Dia da Padroeira do Brasil, às portas do seu Santuário. Somos um país diverso em todos os sentidos, desde cultura, raça, arte, linguagem, até as religiões que servem de base para as crenças que cada um tem o direito de seguir. Mas há detalhes que não se misturam. Nossa sociedade é homogênea, onde tudo está interligado, todavia, não adianta querer amalgamar demais, pois uma hora a mistura a perde o ponto.
Novos tempos com, digamos, mentalidades diferenciadas. Talvez o uso do termo “arcaicas” não se enquadre neste contexto, visto que antigamente talvez se respeitasse mais o sagrado.
Se uma personalidade política tem a sua presença anunciada em um evento religioso, um direito que o tem, automaticamente que os protocolos de ética e respeito deveriam ser respeitados pelas pessoas ali presentes. O país está doente. Estamos vivendo uma época em que escolher para qual lado ir, define o seu caráter global como ser humano.
A religiosidade não pode ser usada como palco político para influenciar a decisão das pessoas, expor em quem se vota ou até mesmo para atacar quem aparentemente não comunga com as mesmas ideologias políticas para o pleito 2022. Aliás, a fé não é negociável. Todos nós temos concepções e acreditamos em algo, porém, isso não nos permite querer determinar para onde o outro deve olhar.
Infelizmente, são situações assim que estão compondo o ano de 2022, fazendo-o como um dos anos mais bizarros da história. E a política que envolve a eleição para presidente do Brasil é apenas a ponta do iceberg. Outras coisas estranhas continuam a acontecer nesse mundo a fora, deixando-nos ainda mais assustados com a audácia humana diante daquilo que não pode ser questionado, inclusive a fé no seu sentido mais puro.
Maria Daniele de Souza Lima
Sobre a autora: Professora, cronista e estudante de Jornalismo. Uma paulista paraibana apaixonada pela comunicação.
