As “fake news”, expressão resultante do estrangeirismo na nossa língua para se referir às notícias falsas, estas que se espalham igual poeira no vento, têm sido um dos principais problemas enfrentados atualmente. Estamos em uma época em que já não temos tanta certeza do que é real ou falso, o que é uma das consequências do compartilhamento de informações criadas com o único e exclusivo intuito de abalar uma verdade. E seu poder de destruição é devastador.

            Um detalhe assustador é a crescente falta de credibilidade que está sendo injetada nas pessoas. Vemos diariamente o aumento no número de cidadãos que não acreditam em todas as notícias que leem. Entretanto, também se percebe que grande parte da sociedade é fortemente influenciada por tudo o que é publicado através dos meios de comunicação, principalmente através das redes sociais. A mídia, como um conjunto de instrumentos de comunicação que tem por finalidade informar a sociedade, também tem servido, discriminadamente, de suporte para a transmissão de dados distorcidos sobre fatos de forte influência social.

Uma boa comunicação pode salvar vidas, mas do contrário, facilmente destruí-las. E estamos vendo isso na prática, durante a pandemia de Covid-19. Paralela a esta, temos a pandemia das falsas notícias sobre, por exemplo, a vacinação da população contra o Coronavírus e o funcionamento das políticas públicas diante do caos oriundo dela. Na história temos exemplos concretos de como as fake news fizeram um verdadeiro estrago na vida das pessoas. E atualmente não estamos longe de passar pelo mesmo.

Em uma matéria feita pela BBC News Brasil, em 25 de abril de 2018, podemos ver como a luta contra a disseminação de notícias falsas é algo que vem sendo feito há muito tempo. Segundo a jornalista ucraniana, Olga Yurkova, ativista engajada no combate a notícias falsas e cofundadora do site StopFake, , as chamadas fake news são “uma ameaça à democracia e à sociedade”. De fato, eventos de grande repercussão mundial foram gerados por notícias falsas que atingiram órgãos importantes do governo e, principalmente, a opinião pública, dando origem a problemas sérios, de grande e negativa magnitude. “O menino crucificado na Ucrânia”, “A menina do Kuwait e a invasão do Iraque” e “As fotos falsas na crise dos rohingya” são exemplos de como as fake news têm força de causar grandes desastres sociais.

É mais sério do que imaginamos! Simplesmente o compartilhamento de notícias mentirosas tornou-se uma arma em potencial, pois a mídia como respeitada parte da sociedade, tem forte capacidade de persuadir a população e essa é uma característica perfeita para os “órgãos” que desejam usar isso com péssimas intenções de convencimento da opinião pública. Trata-se de uma linha tênue entre a consciência e a falta de conhecimento por parte dos receptores dessas informações.

O que fazer? Conscientizar a população sobre o impacto negativo que a disseminação de mentiras sobre setores que servem de base para a vida social tem. Estamos falando de pessoas que deixam de tomar uma vacina, porque disseram que mata. Pessoas que ficaram com medo de usar máscaras para se proteger, porque poderiam ficar com problemas respiratórios. Enfim, as fake news já foram estopim de guerra, de domínio de territórios e conflitos. Que a checagem das notícias que são compartilhadas nas redes sociais se torne um hábito, pois o processo de comunicação se dar a partir do momento em que emissores e receptores estão em busca do mesmo objetivo: a verdade.

Maria Daniele de Souza Lima

Professora, Especialista em Linguística e Literatura, Bacharelanda em Jornalismo Digital e apaixonada pela comunicação